terça-feira, 22 set 2020
Publicidade

Teoria de QAnon: a nova “arma” de Steve Bannon para mostrar Trump como “herói contra o satanismo e a pedofilia”

Na semana passada, o Twitter suspendeu permanentemente milhares de contas associadas à teoria da conspiração conhecida como QAnon, explicando que suas mensagens podem causar danos e violar a política da empresa. É a primeira vez que uma rede social toma medidas radicais para remover o conteúdo relativo à QAnon, uma ideia que vem se tornando cada vez mais popular no em plataformas como Twitter, Facebook e YouTube, além de se propagar em correntes via WhatsApp e Telegram.

Do que se trata a Teoria de QAnon? Tudo começou em 2017, com uma primeira mensagem de uma pessoa que assinou sua mensagem apenas com a letra Q, e que permanece até hoje como líder informal do movimento.

O texto era comentário de um debate cujo título era “Calmaria antes da tempestade”, e mostrava diversas informações consideradas “altamente confidenciais” (mas sem comprovação) de que haveria nos Estados Unidos uma gigantesca conspiração envolvendo políticos do Partido Democrata, celebridades e empresários dos mais ricos do mundo para impor no país os valores do satanismo e os interesses de integrantes de redes de pedofilia.

Também afirmava que Trump seria “o único super herói que está lutando pelos nossos valores contra essa gigantesca maquinária, para defender os Estados Unidos”. Não é uma surpresa, portanto, que vários adeptos da teoria defendam o atual presidente e apareçam em seus atos de campanha.

Há muitas teorias sobre a verdadeira identidade por trás do pseudônimo QAnon, especialmente entre os seus entusiastas. Mas, entre os também muitos que a criticam, se especula sobre que sua teoria seria mais uma estratégia de Steve Bannon, principal assessor comunicacional do presidente estadunidense – e também ligado à família de Jair Bolsonaro.

“QAnon não é um discurso político convencional. É uma teoria da conspiração que faz afirmações loucas e alegações infundadas sobre atores políticos e pessoas inocentes”, disse Alice Marwick, professora de comunicação da Universidade da Carolina do Norte ao diário Chapel Hill.

A acadêmica também acredita que “essas contas amplificam e permitem o bullying online em um nível claramente contrário aos termos de serviço do Twitter. Porém, creio que a suspensão de contas não impedirá a propagação das correntes de QAnon. Elas são multiplataforma e se adaptam muito bem às mudanças nos os ecossistemas da mídia”, acrescentou.

Redes sociais como Facebook, Youtube e outras redes também estão preparando medidas sobre o assunto. Em maio, o Facebook eliminou cinco páginas e 20 contas ligadas à Teoria de QAnon, alegando ter violado sua política contra comportamento inautêntico coordenado.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).