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20 de junho de 2018, 14h44

Torcedor brasileiro protagoniza ataque com homofobia e misoginia contra menino na Rússia

Torcedor Lucas Marcelo Andrade abordou menino com frases como "Eu sou um filho da p*" e "Eu dou para o Neymar"

Em mais um vídeo que começou a circular nas redes nesta quarta-feira, um torcedor brasileiro assedia uma criança a repetir frases carregadas de machismo e misoginia. Na gravação, o menino é constrangido a dizer: “Eu sou um v**do (palavra ofensivo a homossexuais), Eu dou para o Neymar e “Eu sou um filho da p*”. (forma agressiva destinada a ofender mulheres). O autor do vídeo, Lucas Marcelo Andrade, apagou a gravação depois da imensa repercussão negativa que tomou conta da web. Ainda é possível ver nas imagens uma outra criança exposta ao diálogo preconceituoso.

Depois de deletar o vídeo, ele reclamou de outras pessoas que estão compartilhando a gravação. “Já apaguei o vídeo e nêgo continua postando”. Em outros tuítes, ele reclama da Rússia, “lugar sem sal”, e diz estar de volta para a Noruega. “Arrumar as malas para voltar para a Noruega agora”. “Não aguento mais viajar de avião, p* que pariu.

A nova postagem, desta vez envolvendo uma criança, surge ainda no calor da revolta provocada pelo comportamento de Diego Valença Jatobá, Luciano Gil Mendes Coelho, Felipe Wilson e Eduardo Nunes. Eles assediam uma jovem russa a repetir frases de teor sexual .

Homens que aparecem em vídeo machista podem responder por crime na Rússia

Os brasileiros que aparecem em vídeos machistas podem responder por crime ainda na Rússia, onde foram gravadas as imagens. A jurista russa Alyona Popova fez uma denúncia e escreveu petição contra os atos por violência e humilhação pública à honra e à dignidade de outra pessoa.

Dessa forma, o Ministério de Assuntos Interiores deve começar a investigar o caso de acordo com a petição e com os relatos já publicados na imprensa. No vídeo, torcedores brasileiros assediam uma russa e insistem para que ela repita palavrões sem ter a menor ideia do que está dizendo.

Feminista

Na denúncia, Alyona, que é ativista feminista e umas das maiores referências no país em defesa dos direitos da mulher, cita a repercussão do caso entre imprensa, autoridades e celebridades no Brasil. As punições para os ofensores, de acordo com ela, podem variar de multa a restrições na Rússia.

“Na legislação russa, existem várias opções de multa aplicadas às pessoas que humilharam publicamente a honra e a dignidade. Assim, os cidadãos estrangeiros no vídeo podem ser responsabilizados por cometer um delito nos termos da Parte 1 do art. 5.61 do Código de Ofensas Administrativas (insulto, isto é, honra e dignidade de outra pessoa, expressa na forma indecente – implica a imposição de uma multa administrativa aos cidadãos, no montante de mil a três mil rublos), ou processado sob Parte 1 do art . 20.1 do Código Administrativo (vandalismo), isto é, a violência da ordem pública, expressando desrespeito claro para a sociedade, acompanhados por linguagem ofensiva em locais públicos, abuso sexual ofensivo para os cidadãos”, diz a petição.

“E se comprovar que os estrangeiros cometeram os atos destinados a incitar o ódio ou inimizade, bem como a humilhação de uma pessoa ou grupo de pessoas em razão do sexo, raça, nacionalidade, língua, origem, atitude à religião, bem como pertencentes a um tanto o grupo social, publicamente ou usando a mídia, eles podem ser levados à responsabilidade criminal”, completa ela.

OAB abre investigação contra advogado

A seccional de Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) abriu investigação sobre a conduta do advogado Diego Valença Jatobá em vídeo machista na Rússia. Ele é um dos homens que assediam russas a repetir frases de teor sexual em português. O advogado é também ex-secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Ipojuca, município do litoral do estado.

Foto: Reprodução

A denúncia contra Jatobá foi encaminhada pela Comissão da Mulher Advogada ao Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem. A investigação pode levar a uma advertência o ou até a cassação da carteira de advogado. Em nota, a OAB afirmou que “a preconceituosa atitude é causa de vergonha para todos nós, brasileiros, e vai na contramão do atual contexto de luta contra a desigualdade de gênero”.

“Está se verificando se a conduta do advogado viola nosso Código de Ética e Disciplina na parte em que proíbe que o advogado tenha uma conduta incompatível com a dignidade da advocacia. O Tribunal verá se essa conduta por ter sido praticada no exterior se é passível de ser punida em Pernambuco. O advogado está passível de uma punição que pode ir desde uma simples advertência até a exclusão dos quadros da OAB”, disse Ronnie Duarte, presidente da OAB de Pernambuco ao telejornal NE 2 .


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