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29 de julho de 2017, 16h50

What the health e a hipótese do veganismo para evitar doenças

Se você gosta de um churrasco e não abre mão de um bife, talvez o novo documentário de Kip Andersen, o mesmo de Cowspiracy, não desperte o seu interesse. Mas vale a pena assistir para pensar até que ponto as indústrias definem o que vão a nossa mesa e escondem o que faz mal

Toda embalagem de cigarro traz o aviso dos riscos à saúde que o fumante pode ter ao consumir o produto. Para o cineasta Kip Andersen, um alerta semelhante deveria constar nas embalagens de alimentos processados, carnes, frangos, laticínios e até ovos. Essa é uma das mensagens trazidas em seu novo filme, o documentário What The Health, lançado recentemente no Netflix e disponível on line.

Andersen começa o filme dizendo que é um hipocondríaco e que a maioria de seus familiares morreram de câncer, doenças cardíacas e diabetes. Isso foi o que o motivou a buscar as causas que levam a essas doenças. A partir daí ele começa a apresentar pesquisas e entrevistas de representantes das associações norte-americanas que trabalham para a prevenção dessas doenças, como American Diabetes Association, American Cancer Society e American Heart Association.

O documentário mostra a relação entre os hábitos alimentares, o estilo de vida e a emergência dessas doenças, principalmente nos Estados Unidos, onde 40% das mulheres, 35% dos homens e 17% das crianças e adolescentes são obesos, segundo estudos divulgados pelos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do país. O diretor traz dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que a carne processada é classificada como cancerígeno – grupo 1, o mesmo dos cigarros, amianto e plutônio. De acordo com Andersen, a organização analisou mais de 800 estudos que ligam a carne processada ao câncer.

A questão trazida no filme, no entanto, é sobre quem é o vilão nessa história. O momento-chave do filme se dá justamente com a constatação de que as indústrias farmacêuticas e de alimentos (carnes, processados e laticínios) financiam as associações e os estudos científicos, ou seja, como o lucro é mais importante do que a saúde da população. “A maioria das pesquisas trata de como devemos nos medicar, não trata de prevenção”, diz.

O veganismo é a saída apontada pelo diretor para a mudança não só do ponto de vista individual, mas na questão ambiental, já que a pecuária é responsável pela emissão das maiores taxas de gases de efeito estufa. Andersen contesta a forma como as carnes, frangos e laticínios são produzidos atualmente, com transgênicos e antibióticos.

Se o veganismo parece ser algo utópico para muitas pessoas, o filme pode despertar pelo menos para a quantidade de produtos animais consumidos diariamente e como a indústria dita as regras do que é a boa alimentação. Mas isso vale também para vegetais, onde o uso de agrotóxicos é alto e não se sabe seus efeitos a longo prazo. Talvez esse seja um tema para um outro documentário.


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