Fórumcast #20
29 de janeiro de 2018, 19h01

Acesso ao emprego ainda é a principal demanda do movimento trans

Dia da Visibilidade Trans: Maioria das empresas continuam resistindo a contratar travestis e transexuais em razão da transfobia

Por Walber Pinto, no site da CUT

Neste 29 de janeiro, data em que se celebra o Dia da Visibilidade Trans, atividades por todo país denunciam a transfobia e a necessidade de inclusão social das travestis, mulheres transexuais e homens trans no mercado de trabalho.

Em ano de crise, a dificuldade de inclusão se torna ainda maior e gera um caos social: segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) 90% deste público está se prostituindo no Brasil e apenas 10% trabalha com registro em carteira.

“A maior demanda do movimento é a empregabilidade. O direito ao trabalho, é um direito fundamental, se não temos esse direito, a prostituição passa a ser o único espaço de subsistência”, reforça Ângela Lopes, mulher transexual e ativista.

A não aceitação familiar frequentemente faz travestis e transexuais serem expulsas logo cedo de casa e, em consequência, sofrerem com a evasão escolar em razão da sua identidade de gênero. Por outro lado, a baixa escolaridade e o preconceito tornam-se barreiras para o acesso ao emprego.

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Luiz Fernando, homem trans, relata que já foi vítima de transfobia numa entrevista de emprego. “Já sofri preconceito nos processos seletivos, já fui rejeitado devido ao meu nome e sexo nos documentos e, por isso, fiquei desempregado por dois anos”, afirma.

Uma ação que tem ajudado a derrubar as barreiras é o trabalho dos movimentos LGBT, principalmente aqueles com foco nessa questão, que geraram algumas políticas públicas com impacto positivo no combate ao preconceito.

Para a secretaria nacional de Políticas Sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Jandyra Uehara, essa demanda é um “requisito fundamental para uma sociedade mais justa”. “A batalha pela visibilidade, o direito à vida, à saúde é fundamental. No Brasil, não há uma política nacional com este foco da empregabilidade, e nós da CUT defendemos que haja”, defende a dirigente.

O que mudou?

Os poucos postos no mundo do trabalho formal que se permite que sejam ocupados mais frequentemente por essa população estão entre os mais precarizados, como é o caso do telemarketing. Essa é a avaliação da pesquisadora da Unicamp, Regina Facchini.

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Ela afirma que houve algumas mudanças positivas nos últimos anos, porém, quando se trata das pessoas trans, o Brasil ainda é conservador e o mercado de trabalho também. “Há uma ação articulada da transfobia com outras desigualdades sociais, como o racismo e o machismo nestes espaços”, reitera.

De acordo com a pesquisadora, só a “manutenção e ampliação de políticas sociais pode amparar” pessoas que vivem em situações mais precárias. Ela cita como exemplo, o Programa Transcidadania, do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que resgatou várias da vulnerabilidade.

“O projeto mudou a vida de muitas travestis, mulheres transexuais e homens trans, mas também foi um importante instrumento de luta mais ampla contra a estigmatização”, enfatiza.

O programa teve duas turmas. Na primeira, oferecia uma bolsa de R$ 840,00 para essas pessoas concluírem o ensino fundamental e médio por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), e acompanharem cursos profissionalizantes. Na segunda, o número de vagas foi ampliado, de 100 para 200, e a bolsa foi para R$ 924,00. O programa priorizou e tirou várias travestis e transexuais em situação de rua.

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Érica Hilton, negra e travesti, participou da marcha pelos direitos da população trans na tarde deste sábado, 28, na capital paulista. “Não temos acesso ao direito formal, que é o trabalho, nós temos capacidade. E vamos protagonizar essa luta, estamos cansadas de ser silenciadas”, disse.


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