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15 de agosto de 2019, 22h51

Jovem carioca cria projeto que doa compressores de seios a pessoas trans de todo o Brasil

O "Quem bindera", criado por Nick Thomás, já atendeu a mais de 80 pessoas transmasculinas que não podem ou não querem fazer uma cirurgia de retirada de seios (mastectomia).

Nick Thomás, criador do Quem Bindera | Foto: Arquivo Pessoal

Nick Thomás, estudante de Matemática da Universidade Federal Fluminense (UFF) que se identifica como pessoa trans não-binária, resolveu, há cerca de três meses, criar um projeto de financimento coletivo que visava a distribuição de binders, um espécie de top que tem como objetivo deixar os seios menos aparentes. O “Quem bindera” já atendeu a mais de 80 pessoas transmasculinas que não podem ou não querem fazer uma cirurgia de retirada de seios (mastectomia).

Segundo Nick, a ideia surgiu logo após decidir que passaria a separar cerca de R$ 50,00 de seu salário mensalmente para ajudar pessoas trans em condições mais vulneráveis que a dele. Falando sobre isso no Twitter, outras pessoas gostaram da ideia e daí surgiu o “Quem bindera”.

Nick diz estar surpreendido com os resultados, principalmente por já ter conseguido doar 87 binders e comemora. “Os resultados estão sendo surpreendentes, até agora já ajudamos 87 pessoas! É impressionante ver como o Quem Bindera foi um suspiro de alívio na vida de tanta gente. Além de ser uma prova que ainda existe muita gente boa no mundo, mesmo nos tempos que vivemos”, declarou à Fórum. “A gente tinha a meta de atingirmos 100 pessoas até o final do ano, mas certamente vamos passar disso esse mês”, completou.

Segundo Nick, o binder é de extrema importância pra pessoas transmasculinas porque é um “redutor de danos”. “É uma questão de saúde psicológica e física: psicológica porque ele é usado por quem tem a autoestima muito prejudicada pelas mamas, seja por elas em si ou por como aparecem nas roupas e física porque, por esses motivos, as pessoas acabam por fazer a compressão dos seios com outros materiais. Essa prática é muito perigosa e queremos trazer segurança pra que esse desconforto seja resolvido ou pelo menos amenizado pra quem não tem condições de arcar com o custo de um binder”, disse.

Um dos beneficiados foi Gael Guerra, de Sorocaba (SP). Ele conta à Fórum que o projeto foi um alívio e se diz imensamente grato com o projeto. “O Quem Bindera foi um suspiro aliviado, acredito que não só pra mim, mas pra todos que foram ajudados nesse projeto incrível! Estou desempregado e minha faixa estava aposentada. Logo que soube do projeto, entrei na fila de espera e recebi meu binder muito rápido pelo correio”, conta. “Só quem vive na pele pra reconhecer e sentir a dificuldade de ser uma pessoa trans nesse nossa sociedade”, completou.

Gael Guerra com (fotos 1 e 2) e sem (foto 3) o binder | Fotos: Arquivo Pessoal

Como funciona?

O projeto, criado em 22 de junho, funciona da seguinte maneira: uma pessoa que precisa de um compressor vai até o site, preenche um formulário e já entra na fila. As “chamadas” acontecem de acordo com o dinheiro disponível em caixa pelo projeto, que banca tanta a peça quanto o frete. O Quem Bindera paga a partir de R$ 28,00 pelo binder, que varia de acordo com o tamanho. O projeto conta com uma parceria com a loja Transtore que lhe garante um desconto especial.

“Desde que ela seja uma pessoa trans, não tenha condições de comprar e tenha mais de 16 anos, seguimos a ordem da fila, sem privilegiar ou prejudicar ninguém. Quando chega a vez dela, entramos em contato para pegar os dados medidas do busto e o endereço para a compra”, contou o idealizador.

Esse limite de idade é estabelecido, segundo Nick, para respeitar o desenvolvimento corporal de cada um. “Escolhemos o limite de 16 anos porque é o que é determinado por lei para que a pessoa possa iniciar a hormonização. Então, para poder ganhar o binder, a pessoa deve ter 16 anos ou mais quando a vez dela chega. Caso não tenha, avisamos e deixamos o nome dela na lista para entrar em contato quando essa idade chegar”, disse.

No momento a fila conta com mais de 300 pessoas que o jovem espera poder ajudar até o final do ano. “Só de ajudar todas essas em 2 meses já é algo de que me orgulho bastante. A meta agora é atingir essas 300 até o final do ano, colocando aí que conseguiremos manter uma constância. Porém, é difícil medir, já que isso depende da frequência dos doadores e de quanto fica o frete pra cada pessoa ajudada”, avaliou.


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