“O sangue LGBT também é sangue Sem Terra”, diz MST sobre assassinato de ativista gay no Paraná

Corpo de Lindolfo Kosmaski, de 25 anos, foi encontrado carbonizado no último sábado (1) e tudo indica que o crime tenha sido motivado por homofobia; PT, partido pelo qual ele se candidatou a vereador, divulgou nota cobrando providências das autoridades

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou, nesta segunda-feira (3), uma nota em que expressa “indignação” e pede providências da Justiça com relação ao assassinato de Lindolfo Komaski, cujo corpo foi encontrado carbonizado no último sábado (1) no município de São João do Triunfo, no Paraná.

Homossexual, Kosmaski era ativista LGBT, tinha 25 anos e foi candidato a vereador de São João do Triunfo em 2020, pelo PT. Ativo nas atividades do MST, principalmente do Coletivo LGBT Sem Terra e das Jornadas da Agroecologia, o militante frequentava o assentamento Contestado, na Lapa, também no Paraná, onde participou da turma em Licenciatura em Educação no Campo na Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA).

O corpo de Lindolfo foi encontrado pela polícia carbonizado dentro de seu carro e, antes disso, ele havia levado dois tiros de arma de fogo. Segundo Benedito Camargo, irmão do ativista, antes do crime ele esteve em um bar. “Ele era bem conhecido na região. Antes de morrer, ele pagou cerveja para todo mundo e depois sumiu. O celular dele ficou no estabelecimento. Uma amiga falou que Lindolfo teria recebido ameaça de morte dias antes de ser assassinado”, relatou.

“Indícios apontam que foi um crime de ódio, provocado pela homofobia, pois os assassinos além de dispararem dois tiros contra o jovem LGBT, também carbonizaram seu corpo”, diz a nota do MST. Os criminosos ainda não foram localizados pela polícia.

“A sua partida ocorre no mês em que reafirmamos a luta contra toda forma de violência, representado pelo Dia Internacional de luta contra a LGBTfobia, 17 de maio. Nesse sentido, o MST destaca o seu compromisso de lutar por uma sociedade sem LGBTfobia e na construção de um mundo onde a vida e todas as formas de ser e amar sejam garantidas plenamente. O Sangue LGBT também é sangue Sem Terra!”, afirma ainda o movimento.

“O Fascismo disseminado pela direita governante não tem limites. Dia 1º foi assassinado o jovem militante do MST Lindolfo Kosmaski. Por homofobia! Morto a tiros e com o corpo carbonizado. Esperamos que as autoridades do PR identifiquem os culpados e sejam punidos como manda a Lei!”, escreveu em suas redes sociais, por sua vez, João Pedro Stédile, economista e membro da direção nacional do MST.

O PT, partido pelo qual Lindolfo foi candidato a vereador, também divulgou nota em que cobra providências das autoridades.

“Neste momento de dor, prestamos toda a solidariedade à família, amigos e esperamos que os órgãos competentes possam acelerar as investigações e encontrar os responsáveis por esse crime hediondo. LGBTfobia é crime e interrompe trajetórias como a de Lindolfo, em uma sociedade democrática e de direito não há espaço para barbárie, ódio e intolerância”, diz texto assinado pela presidenta do partido, deputada Gleisi Hoffmann, e pela secretária Nacional LGBT da legenda, Janaína Oliveira.

Pelas redes sociais, políticos, artistas e personalidades também comentaram o caso expressando indignação. A cantora Daniela Mercury, que é assumidamente homossexual, por exemplo, foi um dos nomes da classe artística que compartilharam a notícia.

Confira, abaixo, a íntegra das notas do MST e do PT sobre o caso e, na sequência, a repercussão do assassinato de Lindolfo nas redes sociais.

Nota do MST

É com estrema indignação e exigindo justiça, que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) denuncia o assassinato do jovem gay e camponês Lindolfo Kosmaski. Lindolfo foi morto neste último sábado, 1º de maio de 2021, na cidade de São João do Triunfo, no estado do Paraná, onde residia. Indícios apontam que foi um crime de ódio, provocados pela homofobia, pois os assassinos além de dispararem dois tiros contra o jovem LGBT, também carbonizaram seu corpo.

Lindolfo tinha 25 anos, era estudante egresso da turma de Licenciatura em Educação do Campo da Escola Latina Americana de Agroecologia (ELAA), localizada no assentamento Contestado, no município da Lapa (PR). Participou de diversas atividades de formação do MST, como cursos e encontros do Coletivo LGBT Sem Terra e Jornadas de Agroecologia.

Era um jovem humilde, solidário e cheio de sonhos. Atuava como professor na rede estadual de ensino no Paraná e na última eleição municipal concorreu a vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no município de São José do Triunfo. Além disso, estava dando sequência aos estudos cursando mestrado no Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e em Matemática na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Neste momento de dor, o MST estende toda solidariedade à família, amigos e exige que os órgãos competentes possam acelerar as investigações e encontrar os culpados desse crime hediondo.

A sua partida ocorre no mês em que reafirmamos a luta contra toda forma de violência, representado pelo Dia Internacional de luta contra a LGBTfobia, 17 de maio. Nesse sentido, o MST destaca o seu compromisso de lutar por uma sociedade sem LGBTfobia e na construção de um mundo onde a vida e todas as formas de ser e amar sejam garantidas plenamente.

O Sangue LGBT também é sangue Sem Terra!

Exigimos Justiça e punição aos assassinos!

LINDOLFO, PRESENTE!

Nota do PT

Partido dos Trabalhadores manifesta seu profundo pesar pela morte do jovem companheiro paranaense Lindolfo Kosmaski.

Lindolfo era uma liderança jovem de seu município, ativista LGBT e do MST, também foi candidato a vereador pelo PT em 2020 e com uma trajetória inspiradora de luta e coragem. Querido em sua comunidade era educador e envolvido com as lutas do campo.

Teve sua vida ceifada de maneira bárbara, sendo que seu corpo foi encontrado na noite do último sábado, no município de São João do Triunfo, no Paraná. Indícios apontam que se trata de um crime de ódio motivado por sua orientação sexual.

Neste momento de dor, prestamos toda a solidariedade à família, amigos e esperamos que os órgãos competentes possam acelerar as investigações e encontrar os responsáveis por esse crime hediondo. LGBTfobia é crime e interrompe trajetórias como a de Lindolfo, em uma sociedade democrática e de direito não há espaço para barbárie, ódio e intolerância.

Gleisi Hoffmann, deputada federal (PR) e presidenta do Partido dos Trabalhadores

Janaína Oliveira, secretária Nacional LGBT do Partido dos Trabalhadores

Repercussão

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.