REVELAÇÕES

Jornalista da Globo relata assédios que sofreu durante carreira

No Dia Internacional das Mulheres, ela fez uma publicação em suas redes, na qual aparece nua, e aproveitou para desabafar e falar sobre liberdade

Estúdio do "É de Casa".Créditos: Paulo Belote/Divulgação/TV Globo
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O Dia Internacional das Mulheres, celebrado nesta sexta-feira (8), serviu de inspiração para que a jornalista Maria Cândida, uma das apresentadoras do programa É de Casa, exibido pela TV Globo, fizesse um desabafo em suas redes sociais.

Em uma publicação na qual aparece nua, ela falou sobre liberdade e relembrou os diferentes e vários tipos de assédio que sofreu ao longo da carreira.

“Nua, livre, abusada. Nunca mais. Liberdade é o valor mais importante da minha vida. Não existe possibilidade de me convencerem (sim, fui convencida no passado), de que ‘meu tempo já tinha passado'”, afirmou a jornalista.

Ela disse, também, que diversos homens a “interceptaram” durante a vida. “No trabalho: em uma empresa, fui mandada embora e nem preciso explicar, vocês já sabem… Em outra, me tiraram da reportagem… Em outra, tentaram subornar meu cinegrafista com uma caixa de uísque para que não me apoiasse… No início de carreira, vários pegavam na minha bochecha como ‘professores’ e falavam: ‘Você dará uma ótima apresentadora… Tão linda’. Boneca e burra”.

Maria destacou, ainda, que teve trabalhos criticados e fitas de reportagens jogadas no chão. Porém, logo em seguida, recebia convites para jantar para ser “ensinada” sobre a melhor forma de fazer o trabalho. “Eu me esquivava, ia para o banheiro e chorava. Segurava, recompunha e seguia”.

A apresentadora da Globo ressaltou que viveu muitas emoções ao longo da carreira. “Em 30 anos de jornalismo, persistência e raiva (preciso ser honesta)… Chego aqui orgulhosa de seguir bravamente e me tornar a profissional e a mulher que me tornei aos 52 anos. O que passei? Abuso moral, psicológico e até patrimonial. História de muitas de vocês aqui”.

Maria Cândida - Foto: Reprodução/Instagram

Confira a íntegra do desabafo de Maria Cândida:

“Nua, livre, abusada. Nunca mais. Liberdade é o valor mais importante da minha vida. Não existe possibilidade de me convencerem (sim, fui convencida no passado), de que ‘meu tempo já tinha passado’…
Homens de diferentes universos me interceptaram.

No trabalho: em uma empresa, fui mandada embora e nem preciso explicar, vocês já sabem… em outra, me tiraram da reportagem… Em outra, tentaram subornar meu cinegrafista com uma caixa de uísque para que não me apoiasse… No início de carreira, vários pegavam na minha bochecha como ‘professores’ e falavam: ‘você dará uma ótima apresentadora… tão linda’. Boneca e burra. Alguns jogaram fitas de reportagem minhas no chão, na redação, e diziam que meu trabalho estava uma m*rda. Depois me convidavam para jantar para me ‘ensinarem’. Eu me esquivava, ia para o banheiro e chorava. Segurava, recompunha e seguia.

Em 30 anos de jornalismo, persistência e raiva (preciso ser honesta)… chego aqui orgulhosa de seguir bravamente e me tornar a profissional e a mulher que me tornei aos 52 anos. O que passei? Abuso moral, psicológico e até patrimonial. História de muitas de vocês aqui.

Hoje, mais um Dia Internacional da Mulher. Continuo e continuarei falando. Nunca vou parar. Pago minhas contas. Me reinventei profissionalmente e a internet me trouxe a possibilidade de ser livre. O dinheiro não vem mais de um lugar só. Aprendi a ser empreendedora do meu próprio negócio. E sei que ainda vem muito mais. A força dentro de mim vem da convicção e também da revolta. Muitas mulheres caíram nesses abusos comuns no passado. Vítimas do machismo, que mata.

Estamos nos superando, criando redes de apoio, capacitação e aprendizado. Estamos contratando outras mulheres.

Enfim, parabéns Mulherada, Lobas, cheia de orgulho de todas nós!!!”.