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17 de agosto de 2012, 14h17

“A gente não quer só comida, quer diversão e arte”

Escritores de periferia, além dos saraus, constroem sistemas independentes de publicação e venda, numa tentativa guerrilheira de furar o bloqueio das indústrias editoriais que praticamente ignoram esta experiência

Escritores de periferia, além dos saraus, constroem sistemas independentes de publicação e venda, numa tentativa guerrilheira de furar o bloqueio das indústrias editoriais que praticamente ignoram esta experiência

Por Dennis de Oliveira

Nelson Macca, escritor e performático, no Sarau Bem Black no bar Sankofa, em Salvador (Leo Ornellas)

Estive em Salvador no início de agosto e, a convite de dois antigos amigos meus de lá, o Léo Ornellas e o Valdir Estrela, fui ver o “Sarau Bem Black”, evento em que escritores, poetas, músicos e outros praticantes da arte negros apresentam seus trabalhos no Bar Sankofa, no Pelourinho, todas as quartas-feiras à noite.

– Este fenômeno da cultura de periferia tem crescido, a despeito de um certo desprezo do “mundinho oficial da cultura”. A cultura negra nasce como um grito contra a opressão – a capoeira, o candomblé, o samba e, mais recentemente, o hip-hop. Não se trata apenas de uma expressão simbólica de um punhado de “artistas” que se consideram iluminados. Mas sim a luta pela resistência e existência como povo, a manutenção das conexões com a ancestralidade e a proposição de alternativas.

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