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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Abandono de famílias provoca morte em Paraisópolis

Moradores de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, realizaram na manhã desta terça-feira (05) uma manifestação para denunciar a morte de uma moradora da comunidade no último sábado (02). Maria de Lourdes Oliveira Silva, de 56 anos, foi vítima de um incêndio, no último sábado (02), provocado por um curto-circuito no alojamento onde residia.

José Maria, uma das lideranças da comunidade, denuncia que esse já é o terceiro curto-circuito no local, que abriga 48 famílias à espera de um apartamento prometido pela Prefeitura. Há cerca de seis meses, outra família foi atingida por outro incêndio, perdendo todos os seus pertences.

De acordo com José Maria, as condições do prédio estão tão precárias que é comum saírem faíscas de aparelhos ligados à rede elétrica. Para ele, esse é apenas um exemplo da situação de risco e de abandono a que os moradores estão submetidos.

"Não tinha um extintor para apagar o incêndio. Quando os bombeiros chegaram, não tinha mais jeito. Ela [Maria] morreu intoxicada dentro de casa", afirma.

A vítima tomava banho no momento do curto-circuito e, por isso, não conseguiu sair pela única saída do prédio. Há mais de 20 anos Maria morava em Paraisópolis e, há quase três, se abrigava com a família no alojamento, depois de sair de sua casa que, segundo a Prefeitura, estava situada em uma área de risco.

Os moradores da comunidade também criticam a Prefeitura por não ter oferecido auxílio à família de Maria, que, desde então, tem sobrevivido com a ajuda dos vizinhos. De acordo com eles, a única ajuda da Prefeitura, até agora, foi a promessa de um aluguel social para daqui 15 dias.

A morte de Maria é mais um episódio de agressão contra os habitantes de Paraisópolis. Desde fevereiro, a Polícia Militar realiza a Operação Saturação dentro da comunidade, sob alegação de combater a criminalidade na área. Os moradores, entretanto, têm denunciado abusos de policiais militares, que estariam praticando roubos e torturas.

Lideranças comunitárias também denunciam que a Prefeitura está pressionando desocupações irregulares, a fim de favorecer a empreiteira Camargo Corrêa, interessada em construir prédios e uma avenida no local.

A situação de violência levou as famílias a lançarem a campanha "Paraisópolis exige respeito", com o objetivo de alertar a sociedade civil sobre os abusos que acontecem no local.

Com informações da Agência Brasil de Fato.


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