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17 de dezembro de 2019, 06h40

Ameaçado por bolsonaristas, pesquisador de redes de fake news foge de São Paulo

Na ameaça mais recente, o professor David Nemer, dedicado em estudar a forma como o aplicativo WhatsApp é usado politicamente, recebeu um email anônimo, com uma foto dele em anexo, tirada no parque que frequentou dias antes de receber a mensagem. “Sabemos que você está em São Paulo – é melhor você ter cuidado”, foi o texto da ameaça.

O acadêmico brasileiro David Nemer, cujo trabalho nos últimos anos tem sido dedicado em estudar a forma como o aplicativo WhatsApp é usado politicamente, decidiu nesta semana deixar às pressas a cidade de São Paulo. A razão foram as constantes ameaças de morte recebidas por email, e relatadas à polícia.

Na ameaça mais recente, Nemer recebeu um email anônimo, com uma foto dele em anexo, tirada no parque que frequentou dias antes de receber a mensagem. “Sabemos que você está em São Paulo – é melhor você ter cuidado”, foi o texto da ameaça.

Nemer vive nos Estados Unidos, e é acadêmico do Departamento de Estudos de Mídia da Universidade de Virgínia. Se mudou recentemente à capital paulista para incluir o Brasil em seus estudos. “Eu venho pesquisando e monitorando a rede de fake news pró-Bolsonaro. Essa rede de fake news é mantida por um grupo chamado de MAV, Movimento Ativista Virtual, ou milícia virtual”, conta o professor. Por essa razão, a principal suspeita é que grupos bolsonaristas que são alvo da sua pesquisa sejam os autores das ameaças.

O pesquisador relata que a primeira mensagem nesse tom foi recebida em agosto, e perguntava a ele se “você acha que está salvo aí nos EUA?… Eduardo Bolsonaro, o nosso 03, vai ser o nosso embaixador e você tá fudido” – o texto recorda o fato de que, naquele então, o filho do presidente ainda estava sendo indicado ao cargo de embaixador em Washington.

Nemer evita generalizar a respeito dos grupos bolsonaristas. “nem todos os participantes dos grupos são neonazistas, pedófilos, distribuidores de notícias falsas ou financiados com caixa dois de empresários, são pessoas específicas que atuam dessa maneira e que se sentem empoderados a tomar tais atitudes devido o discurso extremista do presidente”, analisa o professor.


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