Fórumcast #19
31 de agosto de 2014, 18h36

Antonio David: Será que Marina também quer unir Malafaia e Jean Wyllis?

A candidata quer fazer do limão uma limonada. Quer aproveitar a vexatória situação para tirar proveito e alimentar a (falsa) ideia de que sua candidatura é “aberta a propostas”

A candidata quer fazer do limão uma limonada. Quer aproveitar a vexatória situação para tirar proveito e alimentar a (falsa) ideia de que sua candidatura é “aberta a propostas”

Por Antônio David, especial para o Viomundo

Tendo recuado diante da movimentação de um representante da velha política e do velho fanatismo – Silas Malafaia -, Marina Silva apelou na hora de justificar.

Ela quer convencer os eleitores de que, na verdade, não houve recuo, mas apenas um mal-entendido, gerado exatamente – pasmem! – pela maneira de proceder da “nova política”.

“Na parte LGBT, o texto que foi para redação foi a parte apresentada pelos movimentos sociais. Todos os movimentos sociais apresentaram propostas e se contemplou tanto quanto possível as propostas” – disse a ex-senadora.

Marina quer fazer do limão uma limonada. Quer aproveitar a vexatória situação para tirar proveito e alimentar a (falsa) ideia de que, notem bem, sua candidatura é “aberta a propostas”. Afinal, seu partido não é bem um partido, mas uma “rede”. Na hora de compilar as propostas, a “rede” se confundiu. Deixou passar o que não deveria ter passado.

Veja também:  Administrador da Wikipédia rebate ameaça de processo de Weintraub: “Tentativa de censura”

Reparem bem: o mal-entendido teria sido causado pelo fato de sua candidatura ser… boa demais! É tão boa, tão boa, tem tantas propostas vindas de tantos lugares, de tantos setores, de tantas pessoas… que ela até se confundiu, de tanta participação!

Seu demérito é, na verdade, um mérito.

Seu vício, uma virtude.

(Uma desculpa típica da velha política).

No final, para coroar, Marina solta: “Estado laico para defender os interesses de quem crê e de quem não crê”.

Que bonito!

Resta saber no que consistem os “interesses de quem crê e de quem não crê”.

Há crentes que são contra a homofobia, para quem atos de ódio a homosexuais devem ser considerados crime. Há crentes, ao contrário, que fecham os olhos para a homofobia e que, diante da luta pela criminalização da homofobia, opõem-se ao que chamam de “pauta gay”. Entre os não crentes, também há gregos e troianos.

Mas, tanto eu, como os crentes como os não crentes estamos ansiosos para saber: de que interesses Marina está falando? Dos interesses dos que se opõem à criminalização da homofobia? Ou dos interesses dos que reclamam pela criminalização da homofobia?

Veja também:  Pastor Isidório terá que se retratar publicamente com Daniela Mercury por postagens homofóbicas

Os dois lados querem saber!

Contudo, não esperemos que Marina explique.

Sua tática eleitoral consiste em fugir de polêmicas.

Quanto mais abstrato, melhor. Nada de propostas concretas. Nada de compromissos.

Uma de suas principais assessoras – acionista do Itaú, banco devedor de bilhões em impostos (velha política) – declarou há alguns dias à Folha de S. Paulo que, se eleita, Marina conduzirá a inflação a 3% ao ano. Como Marina fará esse malabarismo sem que haja um expressivo aumento do desemprego, sobretudo entre aqueles que ganham até 3 salários mínimos?

Não sabemos. Ela não diz. Ela não quer pensar nisso e não quer que pensemos nisso.

O que Marina quer é “unir a todos” – foi o que ouvimos mais de uma vez no debate da Band. Marina quer unir FHC e Lula. Será que ela também quer unir Silas Malafaia e Jean Wyllis?

Marina parece ser aquele sujeito que, sem um tostão no bolso, entra no bar e passa a madrugada pedindo várias rodadas para todo mundo. Resta saber o que ela fará quando o dia amanhecer.

Veja também:  Glenn ironiza Moro: 2016 na Time, 2019 no Antagonista, Ratinho e Istoé, "triste trajetória"

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum