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13 de janeiro de 2017, 08h55

Apesar dos protestos de ruralistas, Imperatriz Leopoldinense diz que não muda desfile

Apesar dos inúmeros protestos de entidades ruralistas, a direção da Imperatriz leopoldinense diz que não vai mudar nada no seu desfile. No enredo sobre o Xingu, a verde e branco incluirá fazendeiros e agrotóxicos na lista de ameaças ao Parque Indígena, criado em 1961, no Mato Grosso.

Da redação com Informações do Globo

Apesar dos inúmeros protestos de entidades ruralistas, a direção da Imperatriz leopoldinense diz que não vai mudar nada no seu desfile. No enredo sobre o Xingu, a verde e branco incluirá fazendeiros e agrotóxicos na lista de ameaças ao Parque Indígena, criado em 1961, no Mato Grosso.

— Vamos manter tudo como o planejado — afirma o carnavalesco Cahê Rodrigues, explicando a origem da celeuma. — Foi devido a uma ala que critica o uso indevido de agrotóxicos, inserida num setor do enredo que cita ainda as queimadas, os madeireiros e os danos ambientais causados pela Usina Hidroelétrica de Belo Monte. Em momento algum foi intensão da escola agredir o agronegócio — diz ele.

A ala em questão, chamada de “Fazendeiros e seus agrotóxicos”, terá componentes de chapéu, borrifadores na mão e caveiras no peito. Perto dela, outros figurinos representarão “os olhos da cobiça” e as “doenças e pragas”. Mas não são apenas as fantasias que provocam a ira do agronegócio. As críticas se dirigem também ao samba, que afirma que “o belo monstro rouba as terras dos seus filhos / devora as matas e seca os rios”.

— É uma menção a Belo Monte. Mas os representantes dos produtores tomaram esse trecho para eles e atacaram a escola de todas as formas, sem sequer nos procurar antes. Fomos pegos de surpresa, inclusive com uma onda de ataques nas redes sociais, de forma brutal e racista, alguns deles contra os compositores, ferindo a história da escola e também nossa liberdade de expressão — diz Cahê.

No fim do ano passado, Cahê tinha visitado o Xingu. Voltou dizendo que apresentaria a cultura do lugar, sem fugir das angústias relatadas pelos índios a ele. Em desfiles anteriores que tiveram a região como tema, como o da Mocidade, em 1983, e o da Tradição, em 1985, ameaças às terras indígenas do Xingu já tinham citadas. Na época, sem tanta polêmica.

CPI do Samba

Já o senador fazendeiro Ronaldo Caiado, fundador da União Democratica Ruralista (UDR) e cuja família é acusada de trabalho escravo, informou que pretende investigar no Senado quem são os financiadores da Imperatriz Leopoldinense e “os interesses em denegrir o agronegócio”. Escola de samba carioca levará este ano à Sapucaí um samba-enredo em defesa das comunidades do Xingu.

 


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