Após cortar auxílio emergencial, Guedes e Bolsonaro dão R$ 43 de aumento no salário mínimo

Quantia não é suficiente para comprar um conjunto de alimentos que inclui arroz, feijão, óleo e frango, de acordo com pesquisa do Procon-SP

Depois de encerrar o auxílio emergencial – já cortado pela metade – pago às famílias mais necessitadas do país, que garantia R$ 300 ao mês para quem foi mais afetado pela pandemia do novo coronavírus, a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro (sem partido), liderada pelo ministro Paulo Guedes, propôs nesta terça-feira (15) um aumento de R$ 43 no salário mínimo para o próximo ano.

O valor consta na versão da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada ao Congresso, que fixa em R$ 1.088 o piso nacional em 2021. Essa lei define as bases do Orçamento do governo para o ano.

A disparada nos preços dos produtos básicos vai diluir esse aumento. Levando em conta os preços médios da pesquisa da cesta básica do Procon-SP de outubro, uma família gastaria R$ 43,89 para comprar um pacote de 5 kg de arroz (R$ 21,90), um quilo de feijão (R$ 6,80) uma lata de óleo de soja (R$ 6,83) e um quilo de frango resfriado (R$ 8,36).  

Ou seja, os R$ 43 a serem pagos a mais quem ganha um salário mínimo não são suficientes nem para comprar os insumos para uma refeição básica. Isso sem incluir carne bovina, cujo quilo o Procon-SP encontrou em média a R$ 28,40 a de segunda e R$ 36,08 a de primeira.

Inflação maior

Esse valor que consta da proposta enviada nesta terça-feira é maior do que o proposto em agosto. Naquele mês, o Ministério da Economia divulgou uma previsão orçamentária na qual previa que o mínimo fosse reajustado em 2,09%. Esse índice era equivalente à projeção para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) naquela ocasião. Assim, o salário mínimo subiria dos atuais R$ 1.045 para R$ 1.067 no ano que vem.

No entanto, ele aumentou por causa da disparada da inflação de lá para cá: o INPC acumula 4,1% neste ano. E isso muito em razão do aumento dos preços de alimentos.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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