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28 de março de 2016, 18h58

Após cruzar planilha da Odebrecht com dados do TSE, internauta tem conta bloqueada por malware

Intrigada com as ações de Moro e com a blindagem da mídia tradicional em relação à planilha apreendida da Odebrecht, a socióloga Thais Moya cruzou os valores com os dados do TSE e descobriu dezenas de políticos que tanto pedem o fim da corrupção com anotações de repasses de empresas suspeitas, valores que não batem e o esquema de “apadrinhamento” que tanto dá poder ao PMDB

Por Ivan Longo

A rede Globo só citou, mas não divulgou. O juiz Sérgio Moro, pouco tempo depois de a informação se tornar pública, impôs sigilo às planilhas de supostos valores e repasses da Odebrecht a candidatos e partidos políticos apreendida na 23ª fase da operação Lava Jato.

Intrigada, a socióloga Thais Moya resolveu investigar os motivos do desinteresse da imprensa, já que toda e qualquer “evidência” da Lava Jato foi amplamente divulgada e explorada pela mídia tradicional até então. E assim o fez. Na última sexta-feira (25), se dedicou a cruzar os dados da planilha da Odebrecht com os valores relacionados a candidatos nas eleições de 2010 com os dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram feitas inúmeras descobertas com o cruzamento e não é possível afirmar que o aconteceu depois tenha algum tipo de relação com a investigação. Mas o fato é que, pouco tempo após a publicação de seu balanço no Facebook, seu computador foi invadido por um malware (um software “mal intencionado”) que bloqueou sua conta.

“Estou sem várias funções em minha conta. Não consigo editar a postagem e nem enviar links por inbox”, explicou a socióloga, que afirmou ainda ter tido que provar ao Facebook que ela era “ela mesma” que estava acessando sua página.

Uma das mensagens do malware que infectou o PC de Thais após a postagem.

Uma das mensagens do malware que infectou o PC de Thais após a postagem.

De acordo com Thais, Moro, Globo e Ministério Público Federal tentam esconder, com a blindagem, o que considera “uma verdade óbvia”: a de que teriam inventado “um novo caixa 2” com uma “frágil aparência de legalidade”.

Ao analisar as planilhas apreendidas, Moya constatou que grande parte dos supostos repasses a candidatos foi feito através da Leyroz de Caixas, empresa evolvida em um esquema de emissão de notas frias e que teve o dono preso em 2010 por importação ilegal. Inúmeros políticos, incluindo aqueles que pregam o fim da corrupção, teriam recebido recursos por meio da empresa e até agora não explicaram que relação tem a Leroyz com a Odebrecht e o porquê da empreiteira utilizar a empresa suspeita para fazer os repasses. Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, Beto Richa, Eduardo Cunha, Mercadante, Jacques Wagner, Paulinho da Força, Garotinho, Eduardo Campos e Aldo Rebelo estão entre os políticos que foram beneficiados por esse “esquema”.

Além de constatar que inúmeros políticos que apoiam o impechament da presidenta Dilma e que pregam o fim da corrupção teriam recebido recursos de uma empresa aparentemente de fachada, Thais, ao somar os valores, descobriu ainda que os valores que constavam na lista da Odebrecht não batem com os declarados no TSE. Pela planilha, PMDB, PSDB e PSC teriam recebido muito mais do que declararam, acontecendo o contrário com o PT.

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

Será mesmo que a Lava Jato está combatendo a corrupção ou estaria sendo instrumentalizada para fazer exatamente o contrário: eliminar apenas um partido da equação, no caso o PT, e manter a histórica estrutura de propinas, compra de votos e caixa e 2???”, questionou.

Outro ponto levantado pela socióloga e que considera relevante é o esquema de apadrinhamento exercido pelo PMDB, em especial através das figuras de Eduardo Cunha e Eduardo Paes. O PSC, partido de Jair Bolsonaro, por exemplo, não tem nenhuma doação registrada no TSE. Na planilha da empreiteira, no entanto, a sigla teria recebido R$ 2,4 milhões a mando de Cunha.

Confira aqui a íntegra da análise feita pela internauta.

 

 


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