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02 de fevereiro de 2012, 09h48

Baixo número de deputados negros atrasa debates sobre igualdade racial, avalia estudo

A dificuldade de tratar os problemas vivenciados pelos afrodescentes brasileiros no Congresso Nacional, o que inclui a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, pode ser justificada pelo pequeno número de parlamentares negros e pardos na Casa.

A avaliação é do professor Marcelo Paixão, que coordenou o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, divulgado hoje, 15, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ). O estudo traz um recorte sobre a raça dos deputados eleitos em 2006.

De acordo com o estudo, dos 513 deputados federais, 11 se declaram negros. Desses, apenas uma mulher. Outros 35 se identificaram como pardos, sendo dois homens. Cerca de 87% se declaram brancos, 0,8% amarelos e nenhum, indígena.

O professor Marcelo Paixão destaca que o número de deputados negros e pardos é pequeno em comparação com o total dessa população no país. Juntos, os dois grupos representam 9% da Casa, frente a 49,5% do total dos brasileiros.

Segundo ele, com a atual configuração, os problemas dos negros encontram dificuldades para serem discutidos. Ele cita como exemplo o Estatuto da Igualdade Racial, que tramita no Congresso Nacional há quase uma década.

“Não é verdade que os problemas dos negros tenham que ser trabalhados apenas por deputados negros. Pessoas brancas, amarelas, qualquer que seja, podem fazer. Agora, segundo a história brasileira, é um fato que a baixa presença de negros no parlamento dialoga com a baixa presença desse tema no debate público.”

A pesquisa da UFRJ também destaca que o contingente de mulheres está “sub-representado” na Câmara Federal. No total, as deputadas somam 8,8% do total de eleitos. A única deputada negra, corresponde a 0,02% de todos os deputados.

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