Balões pela vida: movimento articula ações para levar ao impeachment de Bolsonaro

Estopim para organização nacional foi falta de oxigênio em hospitais de Manaus; grupo inclui artistas, jornalistas, representantes de movimentos sociais do Brasil e do exterior

Foram dois anos do governo Jair Bolsonaro (sem partido), com diferentes manifestações de ódio, desprezo pela vida e pelas pautas sociais. Além de mais de 60 pedidos de impeachment guardados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). E notas de repúdio diante de sucessivos ataques às instituições perpetrados pelo presidente e seus apoiadores.

Mas a falta de oxigênio em hospitais de Manaus foi a gota d’água. Nesta sexta-feira (15), uma reunião virtual com cem pessoas entre artistas, jornalistas, intelectuais, religiosos, ativistas, representantes de movimentos sociais do Brasil e do exterior marcou o início de uma articulação para culminar no impeachment da chapa Jair Bolsonaro – Hamilton Mourão.

O balão foi escolhido como símbolo para o movimento. Por seu sentido lúdico, de remeter a crianças, e por precisar de “fôlego”, respiração, para ser enchido. A cor é o branco, nas roupas, aludindo a paz, aos médicos, que tratam os pacientes de Covid-19, e à espiritualidade. Os atos devem começar na próxima semana e incluem flash mobs, performances virtuais com artistas enchendo balões. Outras ações serão discutidas ao longo deste final de semana. Frases símbolo, como “queremos respirar” e “se assoprar o Bolsonaro cai” foram debatidas também.

Uma das articuladoras do movimento foi a escritora Marcia Tiburi, que chamou as pessoas para  a reunião virtual. Ela explica o objetivo do movimento: “Esse nosso movimento tem como objetivo conclamar a população civil pata uma mudança de perspectiva em relação ao nosso país e a política que se faz no nosso país. É uma articulação que visa o impeachment da chapa Bolsonaro e Mourão. Mas nós pretendemos fazer isso recolocando em cena uma outra afetividade”, afirmou.

“Nós temos ciência que houve uma manipulação das emoções no Brasil nos últimos anos, houve uma implantação do ódio e nós precisamos modificar esse clima”, disse a escritora. “E nós desejamos que isso nos leve à reconstrução de nosso país assim que Bolsonaro e Mourão forem destituídos de seus cargos”, finalizou.

O movimento convocado por Marcia teve a adesão de nomes como Leonardo Boff, os cantores Chico Cesar, Leoni e Zelia Duncan, a jornalista Laura Capriglione, além de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), de conselhos de saúde e do grupo Juízes pela Democracia, entre outros. Foram cem pessoas na reunião virtual.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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