Bolsonaro blefa ao dizer que tem Forças Armadas com ele, afirma Santos Cruz

Ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo afirmou ainda que presidente desqualifica debate político, a quem classificou como um fanático exacerbado. Afirmações foram feitas ao programa Sua Excelência, O Fato

Publicado orginalmente por Sua Excelência, O Fato

O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, que foi ministro-chefe da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro em seus primeiros seis meses de mandato – de janeiro a junho de 2019 – diz que o presidente blefa ao esgrimir o apoio de militares e mesmo das Forças Armadas a uma eventual tentativa de resistir a um impeachment, se ele vier, ou a uma derrota eleitoral nas urnas de 2022. “Ele não tem apoio. É evidente que blefa”, assegura Santos Cruz em sua participação no programa Sua Excelência, O Fato (link para a íntegra no fim desse texto) com os jornalistas Luís Costa Pinto e Eumano Silva. O ex-ministro de Bolsonaro afirmou ainda que Jair Bolsonaro promove a desqualificação do debate político país, um fanatismo exacerbado, e adverte: “isso vai acabar em violência, e ele tem culpa”.

O general Santos Cruz acha que passou da hora de militares da ativa deixarem o governo Bolsonaro e critica o envolvimento desses integrantes das Forças Armadas nas denúncias de corrupção apuradas pela CPI do Genocídio. “Tem militar demais na Saúde, levados por um ministro que é general da ativa. Então, que respondem pelos atos que são acusados. Não deviam ter ido”, diz. Provocado pelos jornalistas Costa Pinto e Silva a responder se o desastre administrativo e a divisão do Brasil em meio ao ódio disseminado a partir do Palácio do Planalto conflagrado pelos discursos presidenciais não era previsível em razão do histórico e da ficha corrida de Bolsonaro nos 28 anos em que foi parlamentar, Santos Cruz diz que não esperava que o governo do ex-capitão de quem foi amigo na Academia Militar fosse tão ruim. “Eu não esperava isso”, afirmou.

Dizendo-se um anticomunista militante e tendo morado na União Soviética nos estertores do regime comunista, Santos Cruz declara ser infantil o debate posto pela extrema-direita brasileira em relação à existência de comunismo no Brasil nos dias de hoje. “Lula não foi um presidente pró-comunismo. A divergência e a resistência em relação ao período dele no governo era de outra ordem”, diz. “É infantilidade ver comunismo em todo canto”. Santos Cruz não vê espaço para uma reeleição de Jair Bolsonaro, crê que ele precisa prestar contas nos processos de corrupção que surgem diariamente contra ele e contra seu governo e revela que não votaria em Bolsonaro de novo – mesmo numa situação de segundo turno entre o atual presidente e eo ex-presidente Lula. “Então evolui ao menos para o voto nulo ou em branco, já que em 2018 votou em Bolsonaro?”, perguntou Luís Costa Pinto no fim do programa. “É, por aí”, respondeu enigmático o general da reserva.

Assista à íntegra do programa:

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