Bolsonaro comemora suspensão dos testes da vacina Coronavac: ‘ganhei’

Os motivos que levaram à suspensão dos testes da vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan ainda não foram divulgados

O presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) voltou a politizar a questão em torno das vacinas de combate ao coronavírus e, ao compartilhar a notícia de suspensão dos testes da vacina Coronavac, afirmou ter ganhado mais uma do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

O comentário foi uma resposta a um usuário que perguntou se o Brasil poderia produzir e comprar a vacina. Bolsonaro respondeu citando os possíveis efeitos adversos da Coronavac – embora a Anvisa não tenha detalhado quais são.

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, escreveu o presidente.

A vacina Coronavac é produzida a partir de uma parceria entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, que é ligado ao governo do Estado de São Paulo.

Desde o início da pandemia o presidente Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, tem travado brigas públicas sobre políticas em torno do combate ao coronavírus e da elaboração e compra de vacinas.

Suspensão de testes

Cabe destacar que a suspensão de testes é uma prática comum quando ocorre algum tipo efeito adverso. Antes da Coronavac, a vacina elaborada pela Oxford e Astrozeneca também passam por um período de suspensão por motivo similar. Posteriormente, os testes foram retomados.

A Anvisa emitiu uma nota na noite de ontem (9) e relatou uma série de efeitos adversos que levam à interrupção dos testes, mas, não detalhou quais foram os efeitos da vacina em questão.

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, afirmou que se trata de um óbito sem relação com os testes da vacina.

O governo do estado de São Paulo emitiu uma nota onde afirma lamentar “ter sido informado pela imprensa e não diretamente pela Anvisa” sobre a suspensão dos testes da Coronavac. A nota do governo também ressalta que o “Butantan aguarda informações mais detalhadas do corpo clínico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre os reais motivos que determinaram a paralisação”.

Líder da Minoria contesta uso político da Anvisa para barrar estudos sobre vacina

O líder da Minoria da Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT/CE), protocolou, na manhã desta terça-feira (10), Requerimento de Informações em que solicita uma justificativa para a interrupção de testes da Coronavac.

Guimarães questiona, entre outros pontos, por que a paralisação foi solicitada pela Anvisa, uma vez que o próprio diretor geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, declarou a ausência de relação entre o óbito do voluntário e a vacina.

“Há uma clara politização em jogo. Enquanto Bolsonaro se esforça para comprovar sua tese frustrada de ineficácia da Coronavac, o povo continua se contaminando e morrendo. O governo brasileiro age como se a vida das pessoas fosse objeto de disputa eleitoral. Irresponsabilidade! Absurdo!”, afirma Guimarães.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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Renato Rovai
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