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08 de fevereiro de 2012, 19h14

Brigada Militar afasta coronel responsável por operação que assassinou sem terra

O comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, João Trindade, determinou no sábado (22) o afastamento do subcomandante-geral da corporação, o coronel Lauro Binsfeld, responsável pela ação de despejo na Fazenda Southall, em São Gabriel (RS), que deixou um sem terra morto e 50 feridos na última sexta-feira (21).

Em entrevista à imprensa local, Trindade admitiu que houve erros durante a operação. De acordo com ele, havia determinação do comando geral para que os policiais usassem apenas armamento com munição não-letal. Apesar disso, pelo menos 12 policiais portavam armas de calibre 12, mesmo calibre da bala que matou o integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Elton Brum da Silva, de 44 anos, com um tiro nas costas.

"Após a realização da operação, constatou-se erro na execução da operação, na medida em que o planejamento do Comandante-Geral não foi seguido na íntegra", afirmou o Comando-Geral da Brigada Militar em nota.

Não foram encontradas armas de fogo com os agricultores, apenas instrumentos de trabalho como foices e facões, o que reforça a tese de que o tiro partiu de um dos policiais. Segundo Trindade, o caso está sob investigação da Brigada Militar e do Ministério Público. No lugar de Binsfeld, assumirá o coronel Jones Calixtrato, atualmente chefe de Policiamento da Capital. 

Os 700 sem terra estavam acampadas na Fazenda Southall desde o dia 12 de agosto e reivindicavam o restante da desapropriação da área para reforma agrária, além de melhores condições para os assentamentos da cidade.

A truculência de Binsfeld já era conhecida pelos movimentos sociais antes do episódio da última sexta-feira. Em março do ano passado, o coronel comandou a reintegração de posse da Fazenda Tarumã, de propriedade da transnacional Stora Enso, em Rosário do Sul, quando centenas de camponesas ficaram feridas.

Protestos
O corpo de Elton Brum da Silva foi velado no sábado na Santa Casa de Caridade de São Gabriel, em uma cerimônia acompanhada por centenas de sem terras. O sepultamento aconteceu em Canguçu, no sul do estado, acompanhado por amigos e familiares.

Após o velório, os agricultores caminharam da capela 3 da Santa Casa de São Gabriel até a praça principal para protestar contra a violência.

Em Porto Alegre, também houve manifestações no sábado. Um ato na Esquina Democrática, no centro da capital gaúcha, contou com militantes de movimentos sociais, representantes de partidos políticos e sindicalistas, que responsabilizaram a governadora Yeda Crusius (PSDB) pela violência.

A repressão contra organizações populares também será debatida em uma audiência pública na Assembleia Legislativa gaúcha, no dia 9 de setembro. Já foram convidados integrantes de movimentos sociais, deputados, representantes da Secretaria da Segurança Pública do Estado, da Brigada Militar e outras entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Com informações da agência Brasil de Fato.


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