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02 de fevereiro de 2012, 09h48

Chibata!, a história em quadrinhos sobre a revolta que abalou o Brasil

Os marinheiros do Brasil no começo do século XX não estavam lá muito contentes com as condições de trabalho – especialmente com os castigos físicos, dados na forma de chibatadas aos faltosos. No dia 22 de novembro de 1910, os marinheiros do Encouraçado Minas Gerais, em protesto, tomaram o navio. Logo a insurreição (que ganhou mais tarde o nome de Revolta da Chibata) foi aderida pela tripulação do Encouraçado São Paulo e de outros navios.

Apontando as armas para o Rio de Janeiro, os marinheiros deixaram a população da capital federal em pânico – e o governo acabou cedendo às pressões dos revoltosos. A vitória que obtiveram foi comemorada por pouco tempo, porque a anistia dada pelo governo se mostrou falsa,e o troco dado pelos almirantes foi devastador. Marinheiros que fizeram parte da revolta foram expulsos, presos ou torturados, e centenas acabaram executados sem julgamento.

João Cândido, o líder da revolta, foi mantido preso em uma cela apertada e torturado. Com a saúde abalada e a mente destruída, a Marinha o deixou encarcerado em um hospício. Ele ainda foi expulso da corporação e teve seus registros apagados oficialmente. Foi como se ele nunca tivesse feito parte da Marinha. Jornalistas que tentassem contar a história do Almirante Negro eram ameaçados e intimidados. Mesmo muitos anos depois, na década de 1970, os compositores João Bosco e Aldir Blanc tiveram problemas com a censura da ditadura militar por causa das referências a João Cândido e à Revolta da Chibata.

Só recentemente o nome de João Cândido começou a ser relembrado, graças à liberação de seus arquivos pela Marinha, à inscrição de seu nome no Livro dos Heróis da Pátria e à anistia post-mortem concedida a ele em 2008, 98 anos depois da rebelião que fez tremer o governo recém-eleito do marechal Hermes da Fonseca.

Chibata!, escrito por Olinto Gadelha e desenhada por Hemeterio, se insere nesse contexto ao retratar em quadrinhos os principais acontecimentos da Revolta da Chibata, inclusive aqueles que a Marinha preferia ver apagados, e recuperar a vida do Almirante Negro, um rebelde brasileiro que ousou levantar cabeça contra a servidão e pagou caro por isso. O grito de liberdade dado por ele em 1910 ecoa até hoje.

Leia aqui um trecho do livro


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