China inaugura clínica para crianças e adolescentes transgêneros

Nos últimos anos a discussão sobre direitos LGBT tem ganhado mais espaço no PC chinês

Assim como o governo de Cuba que, desde a virada de século, tem realizados discussões e avançado nos direitos das pessoas LGBT, a China começa a emitir sinais de que deve seguir pelo mesmo caminho.

Uma prova disso é que o país acaba de inaugurar a primeira clínica multidisciplinar da China para crianças e adolescentes transgêneros, que vai funcionar na Universidade Fudan, em Xangai.

O objetivo do governo com a inauguração da clínica é garantir uma “transição segura e saudável para os jovens transgêneros”.

Além disso, a clínica terá função multidisciplinar e vai integrar os trabalhos com o departamento de psicologia, endócrino, urologia e também atuar na ponte entre as crianças e adolescentes transexuais, seus pais, médicos e diversos círculos da sociedade chinesa.

Estudo realizado por acadêmicos chineses, em 2019, e que entrevistou 1.309 pessoas de 32 províncias revelou que estudantes transgêneros tinham altas taxas de depressão e ansiedade grave quando comparado com a população em geral.

O estudo também identificar conflitos familiares, problemas na escola e com adaptação social e, em alguns casos, pensamentos suicidas.

Os direitos LGBT na China

Os materiais disponíveis sobre os direitos e a vivência LGBT na China, de fontes confiáveis, são escassos.

Atualmente, a postura do governo chinês, representado pelo presidente Xi Jinping, é “não falar, não reprimir e não incentivar”.

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Todavia, a clínica, que conta com o apoio do presidente, torna crível alguns levantamentos que aponta para o avanço da pauta dentro do Partido Comunista chinês, mas, ainda longe de consenso e repleto de polêmicas.

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Com informações do Global Times.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).