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18 de junho de 2018, 09h29

Ciro Gomes admite aliança com o DEM, mas chama Fernando Holiday de “capitãozinho do mato”

Sobre aliança com o partido de Rodrigo Maia, Ciro disse: "O futuro só Deus dirá"

O pré-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) participa na manhã desta segunda-feira de sabatina na Rádio Jovem Pan, em São Paulo. Logo no começo da entrevista, ele foi instigado a responder sobre a aliança com o DEM. Ciro admitiu a possibilidade de aliança com o partido de Rodrigo Maia, atual pré-candidato à presidência do partido. Mas mesmo sem ser perguntado, atacou um novo nome dos Democratas, o vereador Fernando Holiday.  Ciro chamou o integrante do MBL de “capitãozinho do mato”.

Ciro procurou justificar a aliança ao lembrar que o vencedor  da eleição presidencial terá apenas 10% da bancada na Cãmara dos Deputados e no Senado. “Sim, eu admitiria um entendimento com o Democratas, com o PP, com o Solidariedade sabendo que há diferenças no campo programático”, disse Ciro Gomes.

Leia na íntegra a pergunta  do jornalismo da Jovem Pan sobre a possibilidade de aliança com o DEM e a resposta do presidenciável

Jovem Pan: O senhor vem sendo assediado por alguns partidos e o jornais de hoje trazem a possibilidade de o DEM, do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que também é pré-candidato, apoiar o senhor. Será que existe essa possibilidade? Como está a aproximação do PDT com outros partidos pra essa campanha no primeiro turno?

Ciro Gomes: A resposta correta mesmo seria Deus é quem sabe, porque nessa fase há muita especulação e muito uso recíproco de uns pelos outros ‘pra’ assustar criancinhas. A gente precisa explorar isso. Então, é o momento da especulação e o momento da intriga. O que que eu tenho dito: eu tenho um projeto. Esse projeto tem muita explicitude, é muito claro. Eu quero correr o risco de apresentar a ideia de um projeto nacional de desenvolvimento que tenha clareza para dizer de onde vem o dinheiro para superar a interdição do desenvolvimento, o enfrentamento dos graves problemas brasileiros, o desemprego, o colapso da segurança pública, uma série de fatores. Esse projeto eu estou apresentando por fascículos para que ele seja ainda em tempo melhorado pela crítica, pelas interdições.

Pra viabilizar esse projeto eu tenho que ter algumas questões que a minha experiência indicam. É claro que alguma intransigência é esperada pelo povo brasileiro depois desses escândalos todos que desmoralizaram a política.  Mas o partido que mais desenvolvimento terá nestas eleições, professor Villa, não fará mais de 10%  da Câmara. O que é uma coisa absolutamente constrangedora que me faz ter um olho na eleição e um olho no dia seguinte, se tocar a mim o privilégio de servir essa grande nação como seu presidente. Portanto sim, eu admitiria o entendimento com o Democratas, com o PP, com o Solidariedade,  sabendo que há diferenças importantes sob o ponto de vista programático e que nós precisamos esmerilhar antes do tempo para não apresentar um mostrengo que não seja praticável no dia seguinte.

Mais à frente, em outro trecho da entrevista, o ex-governador disse ter ficado surpreso com a possibilidade de acordo com o DEM, mas voltou a acenar para o partido de Rodrigo Maia “O sinal de que eles (o DEM) permitem conversar comigo me surpreendeu”, completou o pré-candidato. Ciro disse que o acordo com o DEM será apenas baseado em projetos para o futuro do país,  porque atualmente discorda das práticas do partido.

Jovem Pan: O DEM, que é um dos partidos que negocia o apoio a sua candidatura, esteve na proa do impeachment. O Rodrigo Maia assumiu logo depois que o Eduardo Cunha caiu e continuou comandando a Câmara nos mesmos moldes que ele. Apoiou o impeachment e fez parte do governo de Michel Temer. No comando dele, a Câmara aprovou duas medidas que o senhor diz que vai revogar: o teto de gastos e a Reforma Trabalhista.  Eu pergunto: tem liga possível entre um candidato que diz que houve um golpe e um partido que apoiou esse impeachment? Um candidato que diz que vai revogar duas medidas importantes e que tem quórum constitucional uma delas e o partido que comandou a aprovação dessas medidas?

Ciro Gomes:  A liga só existirá se for para o futuro.  Se nós fizermos uma avaliação sobre as minhas posições e as posições do DEM de hoje pra trás, é quase impossível.

Jovem Pan: Mas é que não é para trás, é para agora. Estamos falando do presente. Duas medidas atuais.

Ciro: Eu não posso responder pela falta de liga ou pela contradição evidente que haveria uma aliança minha com o DEM que eu não sei se tem . No momento que eu lhe falo, O DEM tem candidato à presidência da República e esse candidato é o Rodrigo Maia, ninguém menos do que o presidente da Câmara Federal . Portanto, o sinal público que eles dão que eles admitem conversar comigo me surpreendeu. Eu como não sou candidato à madre superiora do convento, mas a presidir o Brasil e entregar um conjunto de mudanças profundas que eu quero apresentar na esteira de um projeto nacional de desenvolvimento. As bases de uma Reforma da Previdência já estão anunciadas. As bases de um regime tributário novo já estão anunciadas. O desenho de como nós queremos nós superar a questão fiscal em 24 meses, superar o déficit primário, já estão oferecidos esses desenhos. Portanto, essa liga só haverá se houver um pacto a futuro. E é evidentemente que. se essa conversa abrir, todos esses assuntos vão vir.

Ao citar as diferenças, lembrou do vereador Holiday, definindo o vereador como “capitãozinho do mato”. “Pior coisa que tem é um negro que é usado pelo preconceito para estigmatizar, que é o capitão do mato”.


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