Clube Militar ataca STF e prega golpe: “bastou eleição de Presidente que crê em Deus para o inferno se levantar contra ele”

Artigo do general Eduardo Barbosa, que sucedeu Mourão na presidência do clube, diz que STF ordenou CPI do Genocídio para "culpar o Presidente por aquilo que não o deixaram fazer", cita Lula, o candidato "das trevas" e compara ministros da corte a "Marcolas e Fernandinhos Beira Mar"

Artigo assinado pelo general Eduardo José Barbosa, que sucedeu Hamilton Mourão (PRTB) na presidência do Clube Militar do Rio de Janeiro, publicado nesta quarta-feira (27) no site da entidade, ataca duramente o Supremo Tribunal Federal (STF) pela ordem para a instauração da CPI do Genocídio no Senado, cita a anulação das condenações do ex-presidente Lula e prega que Jair Bolsonaro dê início a um novo golpe, utilizando “o Art 142 da Constituição Federal (vigente) para restabelecer a Lei e a Ordem”.

“Bastou a eleição de um Presidente que acredita em Deus para que todo o inferno se levantasse contra ele”, diz o texto, após uma citação que, segundo o genenral, “sintetiza o momento que o atravessa o nosso país”: “O Brasil é a Pátria do evangelho! Natural, portanto, que o poder das trevas queira destruir nossa Nação”.

No artigo, Barbosa diz que a capa preta dos ministros do STF lembram as “trevas” e que “como ‘as trevas’ têm poder devastador, no dia 27 de abril de 2021, instalou-se uma CPI no Senado Federal”, sobre a CPI do Genocídio, que tem um resultado que “todos já sabemos”.

“O resultado dessa ‘investigação’ todos já sabemos: culpar o Presidente por aquilo que não o deixaram fazer. Ou por não usar as máscaras utilizadas por alguns para se esconder da população. Utilizando uma expressão usada nas mídias sociais, temos os ‘Marcolas e Fernandinhos beira mar’ investigando a atuação da polícia no combate ao tráfico de drogas”, afirma, relacionando os ministros do Supremo aos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho.

No artigo, o militar afirma ainda que Lula “está em campanha, representando as trevas” e, contradizendo o ex-presidente, diz que os ministros do STF “têm muita coragem pois criaram sua própria constituição federal e se auto elegeram presidentes da república”.

“Acovardados são aqueles que, não satisfeitos com a facada, querem sangrar o Presidente eleito até a morte. Portanto, se neste cenário atual, o Poder Executivo, único dos três poderes que está sendo obrigado a seguir a constituição a risca, que utilize o Art 142 da Constituição Federal (vigente) para restabelecer a Lei e a Ordem. Que as algemas voltem a ser utilizadas, mas não nos trabalhadores que querem ganhar o sustento dos seus lares, e sim nos verdadeiros criminosos que estão a serviço do ‘Poder das Trevas'”, diz o texto, que é identificado como “pensamento do Clube Militar”.

Leia a íntegra

Pensamento do Clube Militar

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Rio de Janeiro, 28 de abril de 2021.
Gen Div Eduardo José Barbosa
Presidente do Clube Militar

O Poder das Trevas no Brasil

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“O Brasil é a Pátria do evangelho! Natural, portanto, que o poder das trevas queira destruir nossa Nação”.

Evidente que, embora muitos acreditem literalmente nesta citação, ela abre esse nosso pensamento tão somente para sintetizar o momento que atravessa nosso País, afinal, como muitos dizem, bastou a eleição de um Presidente que acredita em Deus para que todo o inferno se levantasse contra ele.

Os acontecimentos protagonizados nos últimos dois anos pelo STF e pelo Congresso Nacional bem demonstram essas afirmações. O Estado Democrático de Direito, que pressupõe respeito às Leis vigentes, particularmente à Constituição Federal, só serve para aulas em cursos universitários porque, na prática, não é respeitado pelo Legislativo e Judiciário.

Normas processuais sofrem mudanças de interpretação para atender a réus poderosos. Se não conseguem inocentar o bandido de estimação, basta encontrar subterfúgios para anular processos, a ponto de um Ministro do STF afirmar que o combate à corrupção é prejudicial ao país pois causa prejuízos maiores que a própria corrupção. Esquece esse Senhor, que com sua capa preta bem lembra as trevas que representa, que o prejuízo não contabilizado nesse seu nefasto voto diz respeito à investidores que retiram seus recursos de países onde impera a corrupção.

Esse mesmo Tribunal, que ignora a Constituição, conferiu poderes para governadores e prefeitos usarem a pandemia para desviarem dinheiro público e não tratar adequadamente a população, agora culpando o Presidente que eles impediram de coordenar as ações.

E como “as trevas” têm poder devastador, no dia 27 de abril de 2021, instalou-se uma CPI no Senado Federal, encabeçada por um senador cuja família foi presa recentemente por acusações de esquema de corrupção no Amazonas, composta por aliados dos governantes corruptos e tendo como relator um dos campeões em denúncias de corrupção, cujos processos acumulam mofo e traças nas gavetas dos “foros privilegiados”. O resultado dessa “investigação” todos já sabemos: culpar o Presidente por aquilo que não o deixaram fazer. Ou por não usar as máscaras utilizadas por alguns para se esconder da população. Utilizando uma expressão usada nas mídias sociais, temos os “Marcolas e Fernandinhos beira mar” investigando a atuação da polícia no combate ao tráfico de drogas.

Um certo ex-presidente, condenado por corrupção, mas que está em campanha, representando “as trevas”, acostumado a mentir mundo afora, declarou que nossa Suprema Corte é acovardada. Claro que é mais uma de suas mentiras. Os integrantes têm muita coragem pois criaram sua própria constituição federal e se auto elegeram presidentes da república. Acovardados, por conveniência de terem seus processos engavetados, são nossos Senadores que não iniciam processos contra aqueles Ministros que cometem crimes de responsabilidade, como escrito na Constituição oficial vigente.

Acovardados são os nossos congressistas, que também por interesse próprio, não aprovam prisão em primeira ou segunda instância, como ocorre no mundo inteiro.

Acovardada é a população que aceita o cerceamento de suas liberdades pétreas passivamente.

Acovardada é a extrema mídia que, para ajudar o “poder das trevas”, tenta destruir a reputação de um presidente democraticamente eleito disseminando notícias distorcidas e as vezes falsas.

Acovardados são os que defendem a liberdade de expressão desde que o dito seja favorável à ideologia destrutiva que pregam.

Acovardados são os que usam suas canetas de luxo para tentar calar os apoiadores da verdadeira democracia, que lutam pelos seus direitos listados no artigo 5º da Constituição oficial vigente, garantia inquestionável de um país genuinamente democrático.

Acovardados são aqueles que, não satisfeitos com a facada, querem sangrar o Presidente eleito até a morte.

Portanto, se neste cenário atual, o Poder Executivo, único dos três poderes que está sendo obrigado a seguir a constituição a risca, que utilize o Art 142 da Constituição Federal (vigente) para restabelecer a Lei e a Ordem. Que as algemas voltem a ser utilizadas, mas não nos trabalhadores que querem ganhar o sustento dos seus lares, e sim nos verdadeiros criminosos que estão a serviço do “Poder das Trevas.”

“Brasil acima de tudo”.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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