Com variante P1 do coronavírus, governo de SP pede que pessoas busquem ajuda no primeiro dia de sintomas

Rápida piora do quadro de saúde, incidência sobre pessoas mais jovens e maior tempo de internação são os fatores que levaram a nova recomendação sanitária

Com o predomínio da variante P.1 do coronavírus, a prefeitura da cidade de São Paulo mudou a orientação sanitária e agora pede que, todos aqueles que forem infectados a procurarem ajuda médica no primeiro dia de sintomas. A mudança leva em conta a rápida piora de quadro provocada pela nova cepa do vírus.

Além do agravamento rápido do quadro da pessoa infectada, a nova cepa tem atingido em maior quantidade as pessoas mais jovens e o tempo de internação desse tipo de paciente tem sido maior.

De acordo com dados do governo de São Paulo, a variante mais contagiosa já está presente em mais de 80% dos pacientes com Covid-19 da Grande São Paulo. O Rio de Janeiro também apresenta situação parecida: a P.1, que estava presente em 67% dos pacientes em fevereiro, passou para quase 100% em abril.

Segundo levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), baseado em quase metade dos 55 mil leitos de UTI no Brasil, apontou na onda atual da pandemia um aumento de 40% no número de pacientes que precisaram ser intubados e receber ventilação mecânica.

Dados do governo de São Paulo revelam que, uma das principais características da nova variante é a maior incidência entre as pessoas mais jovens. Para se ter uma Idea, a maioria dos casos registrados neste ano se deu em paciente com idade entre 20 e 54 anos.

Na onda anterior da pandemia, 80% dos leitos de UTI eram ocupados por idosos e portadores de doenças crônicas, e agora 60% das vagas são ocupadas por pessoas com idade que varia de 30 a 50 anos, e a maioria sem a presença de doença prévia.

Levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) revela alta de 17% nos pacientes de até 40 anos internados em UTI.

Duas hipóteses são trabalhadas para entender essa incidência entre os mais jovens: 1) homens que não podem deixar de trabalhar e são expostos, por exemplo, ao transporte público lotado e, 2) jovens que não deixaram de frequentar festas. Este segundo grupo, no entanto, é considerado “minoritário” por parte dos especialistas.

Com informações da BBC Brasil

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).