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12 de novembro de 2014, 16h51

Débora Maria: “Não podemos continuar nesse conformismo de achar natural a polícia matar”

A coordenadora do movimento Mães de Maio é uma das participantes do seminário "A Periferia no Centro: cultura, narrativas e disputas", organizado pela Fórum

A coordenadora do movimento Mães de Maio é uma das participantes do seminário “A Periferia no Centro: cultura, narrativas e disputas”, organizado pela Fórum

Por Anna Beatriz Anjos 

Débora Maria da Silva, coordenadora do movimento Mães de Maio, é uma das mais firmes vozes contra a violência policial no Brasil. Após ter enterrado, em 2006, o filho Edson, assassinado durante a série de execuções que ficou conhecida como “Crimes de Maio”, passou a travar incansável luta contra o modelo de segurança pública que vigora no Brasil. Para falar sobre o assunto, ela participará, na próxima sexta-feira (14), do seminário “A Periferia no Centro: cultura, narrativas e disputas”, promovido pela Fórum, em parceria com a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, e com apoio do SPressoSP e iG. (para se inscrever, clique aqui).

Uma das bandeiras mais defendidas por Débora é a desmilitarização das polícias. “Não tem como aceitar que a gente vive em um Estado democrático de direito com a polícia militarizada. Essa militarização, um resquício da ditadura militar, tem que ser banida”, aponta. “Não podemos continuar nesse conformismo de achar natural a polícia matar, fazer desaparecimentos forçados, como o caso do Amarildo.”

Além disso, ela considera que há um viés racista na atuação dos agentes de segurança. “Tem alvo certo: preto, pobre e favelado. Quando se mata, se mata mais negros. Quando se encarcera, se encarcera mais negros. O racismo é institucional”, afirma.

Ainda segundo a ativista, em poucos momentos a truculência com que age a PM transpassou os limites das periferias. Um deles foi junho de 2013, quando eclodiram diversas manifestações pelo país, reprimidas duramente pelos policiais. “Nas manifestações de junho, o povo foi pra rua e não eram só os pobres apanhando – a classe média alta sentiu o peso do braço armado do Estado, da violência do Estado”, explica.

Por conta da seletividade a que está submetida a população das periferias, Débora considera urgente o empoderamento dessas pessoas. “A periferia é marginalizada. O Estado joga a população pobre e negra cada vez mais longe do centro. Nós temos que ocupar o centro, porque favela e periferia é cidade”, coloca. “Nossos governantes têm que nos respeitar, dar saúde e educação de qualidade e moradia digna.”

Foto de capa: Reprodução/Youtube


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