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15 de outubro de 2014, 01h30

Dilma e Aécio frente a frente no debate da TV Band

Em primeiro confronto direto entre os candidatos no segundo turno, Aécio Neves afirmou que o "pai" do Bolsa Família seria o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Porém, questionado sobre violência contra a mulher, preferiu fugir das perguntas em vez de apresentar propostas

Em primeiro confronto direto entre os candidatos no segundo turno, Aécio Neves afirmou que o “pai” do Bolsa Família seria o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Porém, questionado sobre violência contra a mulher, preferiu fugir das perguntas em vez de apresentar propostas

Por Redação

Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se enfrentaram pela primeira vez no segundo turno da disputa pela presidência da República. O debate foi realizado pela TV Bandeirantes na noite desta terça-feira (14), sob mediação do jornalista Ricardo Boechat.

Na primeira parte da programação, os candidatos tiveram dois minutos para destacarem suas principais propostas de governo. Dilma ressaltou os avanços realizados em sua gestão no processo de distribuição de renda e combate à pobreza, lançando um novo ciclo de desenvolvimento para o país. Em complemento, disse que educação, saúde e segurança pública serão prioridades, e que, caso vença, o próximo mandato será baseado em dois valores fundamentais: a igualdade de oportunidades e o combate à corrupção.

Aécio, por sua vez, preferiu falar sobre o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. Ele reconheceu as conquistas sociais implementadas pelo ex-presidente Lula, mas atacou Dilma, ao afirmar que o Brasil piorou nos últimos quatro anos. Quanto às propostas, se comprometeu a “resgatar a credibilidade” do Brasil que, segundo ele, foi perdida com o comando da adversária.

A seguir, o debate deu início à rodada de perguntas por tema livre, que permitiram o confronto direto entre os candidatos. A primeira questão foi levantada pela petista a respeito dos investimentos na área de Saúde. Dilma destacou que a oposição votou contra a CPMF e, com isso, foram perdidos R$ 260 bilhões que poderiam ser destinados a essa área. Ela afirmou também que, durante a gestão do tucano como governador de Minas Gerais, foram desviados R$ 76 bilhões que iriam para a Saúde, segundo informações do Tribunal de Contas. Aécio negou o desvio de verbas e disse que Minas, na verdade, seria um destaque, com as melhores condições de saúde de toda a região Sudeste.

Os candidatos ainda trocaram acusações sobre supostas inverdades que estariam sendo disseminadas durante a campanha presidencial. Já no segundo bloco, Aécio Neves questionou as propostas da candidata para manter a inflação sob controle. Ela respondeu, citando os avanços que o país tem apresentado na área econômica, como a criação de novos empregos, mesmo diante de uma crise financeira internacional. E lembrou que a inflação tem se mantido dentro do limite da meta, com uma perspectiva de chegar a 6,5% até o final deste ano.

A corrupção voltou a ser assunto neste debate. Aécio destacou as recentes acusações contra a Petrobras e Dilma rebateu, dizendo que a impunidade deve ser combatida e seu governo tem se esforçado para isso. Na mesma oportunidade, ela lembrou que casos de corrupção envolvendo o PSDB, como o “mensalão tucano” e o escândalo do metrô em São Paulo, não foram investigados com o mesmo rigor.

A candidata trouxe à tona a denúncia de que Aécio Neves teria mandado construir um aeroporto em terras de familiares, com uso de dinheiro público, conforme investigação do Ministério Público. Ele afirmou que todas as obras foram realizadas dentro da lei.

O debate prosseguiu até chegar como tema a violência contra a mulher. Dilma falou sobre a importância da Lei Maria da Penha, aprovada durante o governo Lula, e perguntou que tipo de medidas Aécio Neves teria em mente para coibir atos de violência doméstica. O candidato fugiu algumas vezes da questão durante a resposta e mesmo durante a tréplica, e focou em segurança pública de maneira geral, sem dar grande destaque às mulheres, nem apresentar projetos concretos no setor.

Nos momentos seguintes, a candidata à reeleição trouxe o sucesso de programas implementados nos últimos anos. “Fizemos o Bolsa Família para 50 milhões de pessoas. O Minha Casa, Minha vida é o maior programa habitacional do Brasil até hoje. Fizemos também o Pronatec”, disse. Aécio Neves reafirmou não ter a pretensão de acabar com os programas sociais dos governos petistas, mas disse que quer aprimorá-los. E afirmou que o programa Bolsa Família teria, no DNA, o Fernando Henrique Cardoso como pai e sua esposa, Ruth Cardoso, como mãe. A declaração foi ironizada pela presidenta: “O povo brasileiro jamais vai acreditar nessa história. Aí passou de todos os limites. Chegamos à fabulação”.

Nas considerações finais, Aécio Neves agradeceu os votos obtidos no primeiro turno e o apoio dado pelo PSB à sua candidatura, na figura de Beto Albuquerque e Marina Silva. Beto compareceu ao debate, mesmo depois de uma nota escrita por Roberto Amaral, presidente interino do PSB, afirmando que o partido teria “traído os ideais de Eduardo Campos” ao se juntar ao candidato tucano. A viúva de Eduardo, Renata Campos, foi lembrada por Aécio, assim como o porta-voz da Rede Sustentabilidade, Walter Feldeman.

Em sua última fala, Dilma Rousseff lembrou que a campanha é um momento decisivo para que a população possa refletir sobre o futuro do Brasil. Ela disse que o povo deve se perguntar quem tem mais experiência e está mais preparado para continuar garantindo a ampliação de direitos e avanços para modernizar o país.


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