Emidio, do PT, pede afastamento de policiais envolvidos na execução de jovens em Santos

Caso foi revelado pela Fórum, que obteve vídeos da ação; Secretaria de Segurança Pública diz que policiais foram atacados quando faziam buscas por colega desaparecido e revidaram

O deputado estadual Emidio de Souza (PT) enviou, neste domingo (17), ofício ao governador João Doria (PSDB), ao secretário de Segurança Pública, João Camilo Pires de Campos, e ao Comando da Polícia Militar pedindo apuração e o imediato afastamento dos policiais envolvidos na execução de um rapaz em ação na Vila Telma, na divisa entre São Vicente e Santos. O parlamentar também enviou documento à Corregedoria e à Ouvidoria da Polícia pedindo investigação do caso.

Reportagem publicada pela Fórum neste sábado (16) divulgou vídeos da ação, mostrando que os policiais usaram fuzis contra o jovem. As primeiras denúncias davam conta de que teriam morrido quatro meninos menores de idade na ação. Novas apurações feitas pelo repórter Lucas Vasques demonstram que eram, na verdade, dois homens os alvos da operação. Um foi deles foi executado, como confirmam as imagens, e o outro foi preso.

“Os fatos narrados são de extrema gravidade e constituiriam conduta criminosa por parte dos policiais militares, servidores públicos de instituição que jamais deveria estar envolvida em retaliações e execuções”, escreveu o parlamentar, no documento. “Sendo tal conduta completamente inaceitável e ensejando a punição dos responsáveis que, em se confirmando o narrado, agiram como criminosos no exercício da função policial que deve estar sempre e exclusivamente a serviço da população”, prosseguiu ele.

Segundo as informações obtidas pela Fórum, os assassinatos teriam ocorrido como retaliação após a morte de um soldado da Polícia Militar, cujo corpo foi encontrado também neste sábado. Reportagem do G1 informou que o corpo do policial desaparecido desde a madrugada de terça-feira (12) foi achado em cemitério clandestino usado por facção criminosa em SP.

Em suas redes sociais, Emidio lamentou o ocorrido e frisou que a função da polícia é combater o crime e proteger a população. “Lamentável o que aconteceu em Santos. O papel da polícia é combater o crime e proteger a sociedade. É inadmissível que membros da corporação cometam crimes como essa execução de jovens menores de idade”, escreveu.

O que diz a SSP

Em nota enviada à Fórum neste domingo (17), a Secretaria da Segurança Pública (SSP) escreveu que, na sexta-feira (15) policiais faziam diligências na região do Rádio Clube em busca do policial militar que estava desaparecido, quando do outro lado do canal que faz divisa com a última ponte foram recebidos a tiros por indivíduos que fugiram em duas embarcações. Os policiais revidaram.


Um dos barcos, de acordo com as informações que constam do boletim de ocorrência, retornou de onde havia saído com diversos indivíduos e o outro seguiu sentido Cubatão. Foi solicitado apoio para equipe de bote do Baep que se encontrava no canal para que se interceptasse um dos barcos que fugiu.

A nota da SSP diz que a equipe foi alvejada por disparos e revidou. “Em seguida, dois indivíduos pularam do barco, sendo que um deles continuou dentro d’água efetuando disparos em direção aos policiais e outro se entregou”, diz o documento. A SSP afirma que foi solicitado apoio do Corpo de Bombeiros para realizarem buscas pelo canal, “mas o comparsa não foi localizado até o término da operação”. As imagens, porém, mostram que nenhum tiro foi disparado a partir da água.

No barco em que estava o preso foi apreendido drogas, caderno com a contabilidade referente ao tráfico de drogas e uma pistola calibre 380. Na outra embarcação que estava abandonada, havia dois aparelhos celulares, cápsulas deflagradas, um rádio HT, mais cadernos e entorpecentes.

Ao todo, foram encaminhadas para perícia 2.277 porções de drogas, junto com as armas dos PMs e dos envolvidos e os outros itens. A SSP diz que o jovem preso tem 20 anos. O caso foi registrado como drogas sem autorização ou em desacordo, tentativa de homicídio, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Texto atualizado às 21h40 de 18 de janeiro de 2021.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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