Enquadro: Obra de arte que denunciava violência policial é censurada em Porto Alegre

A obra foi removida com a justificativa de ferir a Lei de Proteção de Dados; artista rejeita decisão e afirma que não teve oportunidade de negociar

No último dia 11 de dezembro (sexta-feira), uma obra de arte, cujo título é “Enquadro”, e que estava presente na exposição Insurgentes, como parte do Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea de Porto Alegre (Afpoa), foi censurada e retirada da mostra.

De autoria do artista plástico Santiago Pooter, a obra consiste em uma fotografia de um Boletim de Ocorrência (B.O) acompanhado de duas definições de dicionário impressas. A justificativa para a remoção da obra foi de que ela desrespeitava a Lei de Proteção de Dados, pois, os dados de um policial estavam visíveis.

Por meio do seu perfil nas redes sociais, Pooter declarou que o seu trabalho “foi silenciado” e que não teve a oportunidade de negociação. “Meu trabalho foi silenciado e não tive nenhum suporte, seja da Coordenação de Artes Plásticas, seja da Aliança Francesa. Ambas as instituições se posicionaram, ou melhor, não se posicionaram ao meu lado e também ao lado da arte”, criticou o artista.

Santiago também explicou as motivações de sua obra. “Enquadro é desdobramento de um compilado de vivências minhas. Fala de mim, sobre a sociedade, sobre ideias e implicações onde minha produção opera, neste caso, entre a poética e o crime. Parte desta instalação é composta por um Boletim de Ocorrência, realizado em 2019, ocasião na qual fui denunciado durante uma intervenção artística na rua, apreendido por dois Guardas Municipais e levado para a Delegacia Civil”, explica Pooter.

A Aliança Francesa de Porto Alegre emitiu um comunicado onde afirma que está buscando, junto com o artista, uma solução para o caso e disse não apoiar nenhum ato de censura. “A Aliança Francesa preza pelo diálogo e jamais compactuou com qualquer tipo de censura, mas respeita a lei, as liberdades e direitos individuais, de artistas e cidadão em geral”, disse em nota a Aliança Francesa.

Avatar de Marcelo Hailer

Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

Em 2021, escolha a Fórum.

Fazer jornalismo comprometido com os direitos humanos e uma perspectiva de justiça social exige apoio dos leitores. Porque se depender do mercado e da publicidade oficial de governos liberais esses projetos serão eliminados. Eles têm lado e sabem muito bem quem devem apoiar.

Por isso, neste momento que você está renovando suas escolhas e está pensando em qual site apoiar, que tal escolher a Fórum?

Se fizer isso, além de garantir tranquilidade para o nosso trabalho, você terá descontos de no mínimo 50% nos cursos que já temos em nossa plataforma do Fórum Educação.

Renato Rovai
Editor da Revista Fórum

APOIAR