Estudo revela que negros são maioria entre os mortos pela polícia

Levantamento feito pelo Observatório da Segurança analisou dados de São Paulo, Rio, Bahia, Ceará e Pernambuco; para pesquisadores, estudo mostra que há racismo nas instituições

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (9), pela Rede de Observatórios da Segurança mostra que a letalidade policial é maior entre os negros. Os números foram levantados em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco.

Segundo a Rede de Observatórios da Segurança, a população negra é que mais morre pela polícia e isso tanto em números absolutos quanto proporcionalmente. Para os pesquisadores, a discrepância entre casos mostra que há racismo estrutural nas instituições.

A Bahia é o estado onde os números mais impressionam: dos 650 mortos pelas polícias, 97% eram negros; em Pernambuco, a porcentagem chegou em 93%.

No Rio de Janeiro, onde 51% da população é negra, a porcentagem de pessoas negras mortas pela polícia é de 86%; em São Paulo, 64% dos mortos pela polícia em 2019 eram negros.

Outra questão que chamou a atenção dos pesquisadores diz respeito ao estado do Ceará: 77% dos casos as vítimas não tiveram a cor identificada e, entre as que tiveram, 87% eram negras.

Todos os dados levantados pelo Observatório de Segurança foram obtidos com as Secretarias de Segurança dos respectivos estados e cruzados com o censo do IBGE.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatório da Segurança, declarou que “não dá mais para dizer que não tem viés racial. A gente tem que dizer o nome exato que isso tem. Tem que dizer que existe racismo por parte do Estado”.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).