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14 de janeiro de 2020, 23h21

Ex-ministro de Evo Morales é detido ao sair do hospital e se torna preso político da ditadura boliviana

Carlos Romero era ministro do Interior da Bolívia e estava internado desde o dia 10 de janeiro, em uma clínica de La Paz, depois de ser feito de prisioneiro em sua própria casa pela tentativa de invasão de um grupo fascista, apoiador da ditadura e de Luis Fernando Camacho, principal aliado de Bolsonaro no país

Bolivian former Government Minister Carlos Romero (C) is escorted by police upon his arrival to La Paz prosecutor's office on January 14, 2020, to face anti-corruption prosecutors after being arrested. - Romero was one of around 10 Bolivian officials who took refuge in the Mexican ambassador's residence after Bolivia's former President Evo Morales resigned on November 10 and fled to Mexico following a wave of post-election violence. (Photo by AIZAR RALDES / AFP)

O político boliviano Carlos Romero, ex-ministro do Interior (governo de Evo Morales) foi levado à prisão nesta terça-feira (14) ao receber alta médica em uma clínica em La Paz onde estava internado há quatro dias. Romero passa a ser, agora, preso político da ditadura de Jeanine Áñez, que assumiu o poder com a ajuda dos militares, em novembro passado, após o golpe de Estado contra Evo Morales.

Segundo a Promotoria de La Paz, controlada pela ditadura, Romero é acusado pelos delitos de uso indevido de influência e incumprimento de deveres em sua gestão como ministro.

Antes de ser internado, o ex-ministro passou dois dias como prisioneiro em sua própria casa, que sofreu tentativa de invasão por parte de um grupo fascista chamado La Resistencia, que apoia a ditadura de Áñez e o candidato presidencial de ultra-direita, Luis Fernando Camacho – maior aliado de Jair Bolsonaro no país. O grupo realizou uma vigília em frente à casa do político e chegou a cortar o fornecimento de água e impedir a entrada e saída dos residentes.

Segundo um boletim médico divulgado pela imprensa local, Romero deu entrada no hospital no dia 10 de janeiro “com um quadro de hipertensão, ansiedade e desidratação, após mais de 48 horas sem água nem comida”.

Em declaração ao diário local La Razón, horas antes de receber alta e ser preso, Romero disse que “estava sequestrado, porque sou um perseguido político, sou um símbolo da perseguição política que existe hoje na Bolívia, e serei preso como tal”.

A Promotoria de La Paz decidiu adiar o interrogatório de Romero, que estava programado para esta mesma terça, mas anunciou que ele será avaliado pelo Instituto de Investigações Forenses (IDIF). Os promotores dizem desconfiar que Romero está forjando um estado de saúde frágil, apesar dos boletins médicos que dizem o contrário.

Através de sua conta de Twitter, o presidente deposto Evo Morales, que se encontra em asilo político na Argentina, publicou uma mensagem denunciando a ilegalidade da prisão de Romero. Segundo ele, a alta médica foi dada após pressão da ditadura para que o ex-ministro tivesse que sair logo do edifício. “(O caso) é uma clara violação das garantias constitucionais e dos direitos humanos. Romero foi tirado da clínica onde estava ainda sob cuidados médicos”, declarou o ex-presidente.


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