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08 de fevereiro de 2012, 19h05

Globalizar a luta, globalizar a esperança

A luta pela terra e pela reforma agrária promete passar por intensas discussões, pelo menos se depender da presença dos movimentos dos povos do campo presentes em Belém no Fórum Social Mundial. O MST e a Via Campesina estão acampados no Núcleo Pedagógico Integrado (NPI), e hoje partiram em marcha em direção à UFPA para participar das primeiras atividades do Fórum, que hoje começam com apresentações de grupos indígenas por conta do Dia da Pan-Amazônia.

Duas filas, um logo atrás do outro, caminhando calmamente. Todos sempre juntos, afinal, “o povo unido jamais será vencido”. Vez ou outra, algum ativista dava início a um grito de guerra.

Moisés Ferreira acompanhava a marcha pela Via Campesina e tinha nas costas uma bandeira do MST. Para o militante, que está acampado no Pará, a luta pela terra tem que ser uma luta global. “Se não há fronteira para os que exploram, também não há fronteiras para os que lutam”, declara.

"Se o campo não planta, a cidade não janta”

Moisés conta que o governo do Pará tem feito poucos avanços na questão agrária. “Tem muita conversa, muito diálogo, mas pouca ação”. O governo federal, então, praticamente tirou a pauta das discussões do país, acredita o militante. “É preciso mais mobilizações para colocar na ordem do dia a reforma agrária, inlcusive para a cidade, porque hoje passamos por uma crise alimentar e porque hoje muita gente ainda come mal”.

Maria José, que embora já tenha sido assentada e atualmente more com mais 12 pessoas, todas da família, ainda milita pelo MST e estava caminhando lado a lado, ou melhor, em uma das filas, junto com os companheiros que ainda esperam ter um pedaço de terra para poder plantar. A família dela recebe Bolsa-Família, mas afirma que é difícil garantir a presença das crianças na escola porque o acesso a ela é muito difícil. “A escola (pública) fica longe e tem que pagar a passagem para ir, às vezes o transporte quebra no caminho, chega atrasado”, reclama a senhora, que carrega oito anos de militância pela terra nas costas.

Luta aqui, luta lá

“O MST não é uma organização somente da América Latina, é do mundo todo”. Essa foi a primeira frase dita por Daniel Pascual Hernandez, coordenador-geral da Via Campesina da Guatemala, quando pergutado sobre a importância do MST na América Latina. Hernandez não participou da marcha mas está acompanhando as atividades do Fórum. Para a Guatemala, o MST é de extrema importância desde o início das relações, no final dos anos 80. “Nossa relação é de irmandade, tanto na questão política quanto na questão ideológica”, afirma ele.

Apesar das diferentes políticas práticas, Hernandez julga que a luta é conjunta, devido a necessidade de se chegar aos mesmos fins. A luta pela reforma agrária é o ponto em comum, e assim como a luta contra a opressão dos povos indígenas e campesinos feita por empresas (nacionais e transnacionais), estados nacionais, etc. “Os povos pré-colombianos eram os donos de todas essas terras, e o que acontece hoje é uma imposição dessas empresas e governos aos índios e, posteriormente, aos campesinos”.

Além da reforma agrária, as grandes forças de luta campesina também buscam o fim da mão-de-obra barata (forma de opressão), defesa de território, soberania alimentar dos países e direito do povo (indígena e campesino) de auto-determinação. “Os povos tem direito a fazer aquilo que julgam melhor”, conclui Hernandez.


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