O tigrão golpista virou um gatinho democrático?

A hora é da política inteligente e ousada. O jogo vai ficar mais bruto e mais sofisticado.

A conjuntura política do país teve, nesta semana, uma mudança significativa que vai nos obrigar a levá-la em consideração em nossas próximas análises sobre o momento que estamos vivendo.

Não existe vácuo na política. O projeto neoliberal tentará uma sobrevida com nova roupagem e novos personagens. Estão tentando ocupar o vazio deixado por Bolsonaro, com o mesmo projeto neoliberal sem os exageros idiossincráticos do miliciano genocida.

Bolsonaro, a essa altura, se tornou um peso morto, inútil para o projeto neoliberal e é quase um moribundo político, com poucas possibilidades de renascer.

Os desembarcados da canoa furada do atual governo virão com a fantasia de civilizados, moderninhos e democráticos.

Mídia, capital financeiro e os que falam pelo mercado, o agronegócio, militares e a escumalha da política brasileira conseguiram botar a canga em Bolsonaro?

O tigrão golpista virou um gatinho da noite do Sete de Setembro para a manhã do dia 8?
Já está até comendo na mão de Temer…

Ele não está morto politicamente, mas ele mesmo vai se enterrar e cada dia será uma nova pá de terra. Tende a virar um zumbi que ressurgirá sempre como um morto vivo perigoso. Pode , para não ser preso com toda a família, se encarregar de fazer o trabalho mais sujo onde ninguém quer botar a mão. Ele já é visto como o vilão nacional.

Tudo no Brasil está ficando pior! A economia, falência de empresas, a inflação, o desemprego, a crise social, a crise energética, a pandemia, a fome aumentando, a crise ambiental se agravando, as agressões aos povos indígenas…

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Os que estiveram juntos com Bolsonaro, desde o golpe na presidenta Dilma, se apresentarão com a fantasia de salvadores da pátria, que domesticaram Bolsonaro e que vão resolver esses graves problemas do país.

Não vão mais se identificar com o genocida e seu governo desastroso e vão procurar esconder que foram cúmplices na construção desse desastre que o país está vivendo.

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Lula está perfeito em sua estratégia e nas movimentações, agregando e ampliando, definindo a natureza da crise que estamos vivendo, começando a falar das tarefas do seu governo para reconstruir o país e para enfrentar o sofrimento do povo brasileiro e, assim, vai se consolidando como o candidato da retomada da democracia. Lula tende a sair vitorioso em 22.

Mas, possivelmente, teremos como principais adversários essa turma que vem apresentar o mais do mesmo do neoliberalismo, só que maquiado.

Vão dar trabalho, muito trabalho…

A maior fragilidade desse projeto de mudar tudo para que tudo permaneça como está é que até ontem eles jogavam no time de Bolsonaro e do governo. Eles participaram da ruptura com nossa democracia em construção e as pegadas ainda estão frescas.

Eles são quase o mesmo projeto, uma espécie de variante Delta da mesma doença.

E, não têm um candidato de peso que não esteja comprometido e identificado com o que está aí.

O PT, como principal partido da oposição, pode e deve articular e liderar uma frente pela retomada da democracia e pela reconstrução do país. Vai poder jogar um papel importante para o Brasil, porque sua vocação é representar um outro projeto de nação, com soberania e desenvolvimento, justiça social, inclusão de todos e todas, democracia e sustentabilidade. E, que tem a qualidade de vida do povo brasileiro como centro das atenções.

A hora é da política inteligente e ousada. O jogo vai ficar mais bruto e mais sofisticado.

Todo o povo brasileiro terá que dar sua contribuição para sairmos dessa situação desastrosa a que o golpe na presidenta Dilma nos levou.

Todos os brasileiros e brasileiras terão que se mobilizar e se manifestar para evitar que a farsa que estão preparando para continuar demolindo país, por meio com novos personagens, novas fantasias e novos picaretas – tudo que foi construído no decorrer da história deste país.

É o futuro do Brasil e do povo brasileiro que está em jogo.

*Este artigo não reflete necessariamente a opinião da Fórum

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Juca Ferreira

Sociólogo, foi ministro da Cultura e é ex-secretário de Cultura de Belo Horizonte

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