Juristas evangélicos próximos a Damares são barrados na ONU

China, Cuba e Nicarágua apontaram que a entidade de juristas evangélicos tem relação direta com o governo Bolsonaro

A Organização das Nações Unidas (ONU) não concedeu status consultivo para juristas da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), entidade próxima da Ministra da Família, Damares Alves, com a recusa, essas pessoas não podem discursar em reuniões oficiais, organizar debates e submeter informes em diferentes organismos.

A decisão se deu após a entidade pediu esclarecimentos sobre a relação dos juristas evangélicos com o governo Bolsonaro. Segundo informações do UOL, a entidade solicitou em 2017 o status consultivo a ONU.

Durante uma reunião realizada na terça-feira (25), a delegação de Cuba pediu detalhes sobre o apoio que a Anajure recebe do governo federal brasileiro e, especificamente, do Ministério das Relações Exteriores. O governo da Nicarágua também questionou a adesão e pediu esclarecimentos sobre a estrutura das contas da entidade brasileira.

Além dos governos de Cuba e Nicarágua, o governo da China já tinha criado obstáculos e questionou a atuação da entidade de juristas evangélicos. Com isso, a aprovação da adesão da organização evangélica está adiada até 2022.

Em sua defesa, a Anajure tem argumentado que possui uma atuação independente de “qualquer governo” e que existem pontos de discrepância entre a gestão do presidente Bolsonaro (sem partido) e a entidade.

Porém, de acordo com informações do UOL, a Anajure fechou um acordo com o Ministério de Direitos Humanos para lançar “um canal de denúncia para violações de direitos humanos na pandemia”. A entidade também já foi convidada pelo presidente da República para participar de um culto de ações de graça no Palácio do Planalto. A leitura bíblica ficou por conta do presidente da entidade.

A relação entre a ministra Damares e a Anajure não é nova e data de 2012 quando, em uma de suas primeiras reuniões a entidade prestou homenagem a ministra e, à época da homenagem, o órgão a declarou “membro da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos”.

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Com informações do UOL

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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