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03 de fevereiro de 2014, 13h59

Líderes oposicionistas batem cabeça na África do Sul

Depois de 20 anos de domínio do partido de Mandela no país, primeira grande união entre partidos de oposição morre prematuramente

Depois de 20 anos de domínio do partido de Mandela no país, primeira grande união entre partidos de oposição morre prematuramente

Por Vinicius Gomes

Os dois nomes da oposição sul-africana, Mamphela Ramphele (esq.) junto de Helen Zille, no dia do anúncio da aliança
(Foto Esa Alexander/Times Live South Africa

O retrocesso no pacto entre dois partidos de coalizão na África do Sul – menos de uma semana depois de ter sido anunciado publicamente – mostra que ainda existe muito trabalho a ser feito no país pós-apartheid e, agora, pós-Mandela.

Quando Mamphela Ramphele, líder do recém-criado partido Agang SA, aceitou o convite do principal partido oposicionista sul-africano, a Aliança Democrática, para ser a representante na eleição presidencial, o anúncio foi feito em tom de otimismo, com a remoção do legado racial no cenário político da África do Sul. “Nós estamos pegando o assunto racial e colocando-o na lixeira”, disse ela. A Aliança Democrática tem também uma mulher como líder, Helen Zille.

A história das duas mulheres já haviam se cruzado décadas atrás e um dos nomes mais importantes nomes na luta contra o apartheid, as unindo: Steve Biko.

O líder ativista da “consciência negra” na África do Sul foi espancado até a morte após ser preso, no entanto, o governo branco no país alegou que ele havia morrido por conta de uma suposta greve de fome. Helen Zille foi uma das jornalistas que desmascarou a mentira das autoridades, enquanto Ramphele teve um longo romance com Biko, fora do casamento do ativista.

Segundo analistas políticos na África do Sul, o grande problema na consolidação da aliança contra o partido de Mandela, dominante no país há 20 anos – o Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês, ou CNA) – foi a questão racial, a mesma que Ramphele disse que estava sendo “jogada na lixeira”. O que parece ter pesado de fato, foi Ramphele ter negociado a aliança praticamente sozinha, o que teve como consequência forte reprovação dentro do seu próprio partido. Helen Zille acusou Ramphele de ter demonstrado não ser confiável para levar qualquer tipo de projeto até sua conclusão.

O analista político Eusebius McKaiser disse que toda essa situação era um presente para o CNA. “O vexame já fala por si só. A reputação de Maphela Ramphele está em pedaços e a Aliança Democrática estava muito ansiosa para conseguir um rosto negro [para a candidatura] seja esse rosto sendo a pessoa certa ou não”.

O CNA e o presidente sul-africano Jacob Zuma há anos vivem às voltas com denúncias de corrupção. Com as divergências entre oposicionistas e a inabilidade governista, parece que nenhum dos dois lados está inspirando a confiança da população sul-africana para as eleições em 2014.


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