Lula ao Grupo de Puebla: “O novo normal é a gente brigar pela sobrevivência outra vez”; veja vídeo

Em discurso para o encontro que acontece no México, o ex-presidente defendeu a união da América Latina e Caribe para a construção de "uma nova governança global"

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Acontece nesta terça-feira (30) a abertura do 3º Encontro do Grupo de Puebla, na Cidade do México, que reúne lideranças políticas da América Latina e Caribe do campo da esquerda.

O ex-presidente Lula, em mensagem encaminhada ao encontro, afirmou que há “uma inquietação no mundo. Qual será o futuro da humanidade depois da pandemia? Qual será o futuro da humanidade agora?”.

Em seguida, Lula perguntou aos presentes: “O que podemos fazer pelas pessoas mais pobres e mais humildes? O que poderemos fazer para que os trabalhadores que perderam seus empregos?”.

No discurso, Lula analisou o presente, mas também afirmou que é preciso pensar no futuro pós-pandemia e que é preciso resgatar a esperança na América Latina.



“Uma grande parte das pessoas na América Latina já não tem mais esperança, uma grande parte já nem procura mais emprego. Como será o mundo do trabalho no pós-pandemia? Como será tratada a questão ambiental? Como será tratada a questão da economia no mundo?


Nova governança global


Em um segundo momento, o ex-presidente Lula afirmou que a ONU precisa mudar e agregar mais países, pois, o mundo hoje é completamente distinto daquele que criou a organização. Para Lula, é preciso, desde já, começar a pensar em uma nova governança global, que não gaste “trilhões com guerras inúteis” e que invista nos países mais pobres.

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“Nós precisamos reconstruir a nossa unidade na América do Sul, na América Latina e no Caribe. Os países sozinhos têm poucas chances de negociar com as grandes potências, mas juntos a gente pode negociar em pé de igualdade com a China, a gente pode ter mais força para negociar com os Estados Unidos e a gente pode ter acordos mais favoráveis com a União Europeia”, disse Lula.

“Precisamos nos unir inclusive para falar sobre uma nova governança no mundo. Uma nova governança mundial. A ONU já não representa o que ela representava quando foi criada. A geografia política é outra, mais países precisam entrar. A ONU precisa voltar a ter autoridade para decidir algumas coisas que são importantes. Uma nova governança que tenha coragem de evitar guerras, que pense na construção de um mundo mais justo, mais humano, que pense em acabar com a fome”, criticou.

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Posteriormente, Lula voltou a falar do dinheiro gasto em guerras recentes. “Imagina a quantidade de dinheiro gasto com as guerras inúteis que foram feitas nos últimos tempos, a começar pela guerra do Iraque, uma mentira que custou trilhões e trilhões, a troco de que? E a guerra da Síria, a invasão na Líbia, o que isso resultou em benefício para a humanidade? Agora imagina se esse dinheiro fosse aplicado para desenvolver agricultura, indústria, o comércio em outros países”, questionou.

Mas, Lula também fez uma crítica para o campo da esquerda e afirmou que eles não podem iniciar o século XXI discutindo as mesmas coisas do século XX e, posteriormente, afirmou que não existe “novo normal”.

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“O novo normal para muitos países é discutir o velho normal, porque no Brasil a fome voltou maior do que quando eu assumi a presidência, o desemprego voltou maior… O novo normal é a gente brigar pela sobrevivência outra vez”, finalizou.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).