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08 de fevereiro de 2012, 19h14

Magnolli não sabe do que fala, diz Kabenguele

Com a sobriedade que caracteriza suas intervenções públicas, porém, em termos duros, o professor titular do Departamento de Antropologia da USP, Kabenguele Munanga, rebateu “as críticas insensatas e graves acusações” de que foi alvo, por parte do geógrafo Demétrio Magnolli, articulista do jornal O Estado de S. Paulo e um dos líderes da campanha contra as cotas e ações afirmativas nas Universidades.

Kabenguele foi chamado pelo geógrafo de “charlatão acadêmico” e um dos “ícones da racialização oficial do Brasil”, no artigo “Monstros Tristonhos”, publicado em 14 de maio, a propósito do cancelamento de matrículas pelas Universidades Federais de S. Carlos (SP) e Santa Maria, no Rio Grande do Sul, de dois alunos mestiços que haviam optado pelas cotas raciais.
Magnolli acusa as duas instituições de terem criado “tribunais raciais” e a Munanga de ser o inspirador dessa medida.

“Grave acusação! Infelizmente, ele não deu nomes a outros ícones. Nomeou apenas um deles, cuja obra não leu, ou melhor, demonstra não ter lido. Mas por que só o meu nome mencionado? Porque sou o mais fraco, pelo fato de ser brasileiro naturalizado, ou o mais importante, por ter chegado ao ponto mais alto da carreira acadêmica? Isso parece incomodá-lo bastante! Um negro que chegou lá, ao topo da carreira acadêmica, numa das melhores universidades do país, mas nem por isso esse negro deixou de ser solidário, pois milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades”, defende-se.

Kabenguele ironiza, acrescentando não saber “em que ano descobriu que a raça não existe”. “‘Acho um exagero querer me dar lição de moral sobre coisas que eu conheço muito antes dele. Convido o geógrafo Demétrio Magnoli a ler o que escrevi sobre o negro no Brasil antes de se lançar desesperadamente em críticas insensatas e graves acusações”.

E desafia. “Se porventura ele identificar algum traço de defesa do racismo científico em meus textos, se encontrar algum projeto ou plano de ação para suprimir os mestiços e racializar o Brasil, já que ele me acusa de ícone desse projeto, ele poderia me processar na justiça brasileira, em vez de inventar fábulas que não condizem com minha tradicionalmente pública e costumeira postura”, conclui.

Leia a íntegra da resposta.


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