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29 de agosto de 2016, 18h09

Maringoni: Dilma se agiganta

“Tenho críticas agudas ao governo Dilma e, em especial, às escolhas políticas que fez. Deploro o estelionato eleitoral, um verdadeiro suicídio político sem razão plausível. Tais questões devem ser debatidas e avaliadas com detalhes. Mas não hoje. Agora é forçoso reconhecer: seu discurso no Senado é peça histórica e contundente. Dilma se agiganta na vida pública, coloca a política no posto de comando e denuncia a trama reacionária e insustentável do golpe”

Por Gilberto Maringoni

DILMA SE AGIGANTA: FRENTE ÚNICA CONTRA O GOLPE!

Tenho críticas agudas ao governo Dilma e, em especial, às escolhas políticas que fez. Deploro o estelionato eleitoral, um verdadeiro suicídio político sem razão plausível.

Tais questões devem ser debatidas e avaliadas com detalhes.

Mas não hoje.

Agora é forçoso reconhecer: seu discurso no Senado é peça histórica e contundente. Dilma se agiganta na vida pública, coloca a política no posto de comando e denuncia a trama reacionária e insustentável do golpe. Não tem medo de chamar as coisas pelo nome, por mais duras que sejam as palavras.

Numa situação de golpe, a diretriz só pode ser: frente única contra o atentado à democracia!

É hora de somar!

Algumas passagens da fala presidencial são particularmente significativas e emocionantes. Destaco seis:

1. Hoje, mais uma vez, ao serem contrariados e feridos nas urnas os interesses de setores da elite econômica e política nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática. Os padrões políticos dominantes no mundo repelem a violência explícita. Agora, a ruptura democrática se dá por meio da violência moral e de pretextos constitucionais para que se empreste aparência de legitimidade ao governo que assume sem o amparo das urnas. Invoca-se a Constituição para que o mundo das aparências encubra hipocritamente o mundo dos fatos.

2. “A eleição indireta de um governo que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando o povo, nas urnas, escolheu uma mulher para comandar o país. Um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial e já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido pelo povo em 2014”.

3. “Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o Presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições”.

4. “A ameaça mais assustadora desse processo de impeachment sem crime de responsabilidade é congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação. É impedir que, por 20 anos, mais crianças e jovens tenham acesso às escolas; que, por 20 anos, as pessoas possam ter melhor atendimento à saúde; que, por 20 anos, as famílias possam sonhar com casa própria”

5. “Ironia da história? Não, de forma nenhuma. Trata-se de uma ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira”.

6. “Estamos a um passo da consumação de uma grave ruptura institucional. Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado”.


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