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22 de julho de 2013, 13h26

McDonald’s lança cartilha que ensina empregados a gerir baixos salários

Guia propõe gastos ínfimos com saúde e aconselha segundo emprego para complementar a renda mensal

Guia propõe gastos ínfimos com saúde e aconselha segundo emprego para complementar a renda mensal

Do Repórter Brasil 

A rede de fast food McDonald’s criou, em conjunto com a administradora de cartões de crédito Visa, uma página na internet – Practical Money Skills – para orientar seus funcionários a serem “bem-sucedidos financeiramente” com os ganhos recebidos na empresa, um ambiente de trabalho “gratificante e compensador”. A campanha, realizada pelas sedes das duas companhias nos Estados Unidos, procura guiar os empregados dos restaurantes a gerirem sua remuneração salarial.

O salário de um empregado é, em média, de US$ 8,25 por hora nos EUA. No site, há uma cartilha que ensina, passo a passo, a “melhor maneira de gastar seu dinheiro”. Entre as recomendações o guia propõe um orçamento mensal de US$ 20 para despesas com saúde. No país, porém, não há sistema público de saúde, e toda e qualquer necessidade médica deve passar por hospitais ou clínicas particulares.

Funcionários denunciam violações trabalhistas, em frente à sede do McDonald’s em Chicago, no último 6 de junho. (Foto: National Guestworker Alliance)

A cartilha também prevê que um funcionário do McDonald’s inclua no orçamento os ganhos com um segundo emprego. Além disso, há uma versão da página em espanhol. O documento, ainda, não leva em consideração diferenças do custo de vida nas diferentes regiões do país e não faz qualquer menção a gastos para indivíduos que tenham de sustentar uma família sozinhos. Procurada pela reportagem para comentar o caso, a assessoria de imprensa da empresa alocada no Brasil disse que não iria se pronunciar por se tratar de uma questão relacionada à franquia estadunidense.

Segundo números da própria companhia, a rede emprega mais de 1,7 milhão de pessoas e tem 33 mil restaurantes em todo o mundo, em mais de 119 países. De acordo com levantamento das melhores corporações para se trabalhar no mundo, realizado pela companhia “Great Place to Work”, a rede de restaurantes foi eleita a 4ª melhor transnacional alocada na América Latina, no período entre junho de 2011 e março de 2012.

Ainda este ano, no entanto, o McDonald’s foi alvo de um protesto internacional, ocorrido no último 6 de junho em pelo menos 33 localidades, para denunciar violações a direitos trabalhistas, principalmente contra trabalhadores imigrantes, e práticas contra a livre associação sindical.

Condenação trabalhista no Brasil

Em março deste ano o McDonald’s foi condenado pela Justiça do trabalho brasileira por estabelecer um regime de expediente variável e impedir que funcionários trouxessem a própria refeição de casa, duas práticas que costumavam ser adotadas pela empresa. A juíza Virgínia Lúcia de Sá Bahia, da 11ª Vara do Trabalho do Recife, determinou que em todo o Brasil a franquia cessasse essas condutas.

A condenação à época decorreu de uma ação movida pelo procurador do Trabalho Leonardo Osório Mendonça. Para o MPT, na ocasião, a jornada móvel variável fazia que “o empregado estivesse, efetivamente, muito mais tempo à disposição da empresa do que as oito horas de trabalho diárias previstas nos contratos ‘normais’ de trabalho”, além de “não garantir o pagamento sequer de salário mínimo ao final do mês”.

Trabalho escravo

Além de irregularidades trabalhistas, o McDonald’s já foi denunciado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Gastronomia e Hospedagem de São Paulo e Região (Sinthoresp) por suposta exploração de trabalho escravo. A denúncia culminou na abertura pela Polícia Federal (PF) do inquérito policial 0233/2012 em 16 de outubro de 2012. O assunto foi encaminhado para a Justiça e, em maio de 2013, retornou para mais investigações. Ainda não há, porém, comprovação da prática por autoridades.

Desde 2009, o McDonald´s integra o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo e pode ser suspenso se for comprovada a submissão de trabalhadores à escravidão. Na época, ao Comitê de Gestão do Pacto, a empresa afirmou que as alegações do Sinthoresp não têm qualquer suporte “fatídico ou legal”.


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