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25 de abril de 2013, 07h41

Metalúrgicos debatem impactos do Inovar-Auto no ABC

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, faltam programas estaduais para a indústria local

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, faltam programas estaduais para a indústria local

Por Adriana Delorenzo

Nesta quarta-feira (24), o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC convidou trabalhadores, poder público, indústria e universidade para debater o setor automotivo, em seminário realizado no auditório da Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo. O foco principal foi discutir o novo regime fiscal do setor, chamado Inovar-Auto. Trata-se de uma política de impostos para montadoras, autopeças, indústrias de máquinas e equipamentos, fundição, entre outras. A duração do programa é de cinco anos (2013-2017) e o objetivo é fortalecer e incentivar as montadoras a investirem em pesquisa, engenharia, desenvolvimento tecnológico e produção local.

“Hoje, no ABC, o setor automotivo emprega 40% [da população ativa]”, afirma o presidente do sindicato Rafael Marques, que também preside a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC. “É uma das poucas regiões do Brasil onde indústria e serviço empregam no mesmo patamar”, completa, reforçando a importância dessa indústria para a região.

Segundo Marques, em 2011, os metalúrgicos se mobilizaram contra a enxurrada de importações e ameaças de demissões na indústria. A partir daí, foi construída uma saída para preservar os postos de trabalho, e o Inovar-Auto foi fruto desse movimento. “Cabe ao sindicato e seus parceiros dar continuidade a esse diálogo para que o ABC possa se beneficiar dessa luta.” Marques destaca que hoje o Brasil é um grande exportador de caminhões e ônibus.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, declarou à imprensa, nesta segunda (22), que a meta do setor é exportar 1 milhão de unidades em 2017, mais que o dobro das atuais 420 mil. Em coletiva, ele afirmou também que as montadoras devem investir no Brasil R$ 60 bilhões no período do programa, sendo R$ 14 bilhões em engenharia automotiva.

Para participar do Inovar-Auto, as montadoras terão que ampliar as etapas produtivas no País em 80% do total até 2017. Outro requisito é em relação ao consumo de combustível: terá que ser 12,08% menor do que o atual. Cumprindo as obrigações do programa, as indústrias terão abatimentos no IPI de até 5%.

São Paulo e universidades

Para o metalúrgico, não existem programas estaduais para a indústria instalada em São Paulo. “Há muito chamariz de outros estados, que têm terrenos, concessão de benefícios fiscais e uma série de outras medidas para deslocarem a produção.”

A alternativa para Marques é o suporte tecnológico. “Temos a USP, o IPT, há estruturas que ainda não estão na indústria. A universidade está desconectada da produção. Na região do ABC, temos a FEI e a Mauá, que são privadas, já fazem um trabalho importante nesse sentido. E temos a Universidade Federal do ABC, que está ainda mais preparada para fazer esse trabalho com laboratórios de Primeiro Mundo”, comenta.


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