Milícia obriga reabertura de comércio no Rio em meio a pandemia

Em sintonia com o governo Bolsonaro, policiais criminosos exigem retomada da atividade para manter cobrança de "taxas"

Apesar das restrições de circulação e de atividades decretadas no estado do Rio, comerciantes da Zona Oeste e da Região Metropolitana da capital afirmaram nesta sexta-feira (17) foram obrigados pelas milícias a voltar ao trabalho.

Segundo as denúncias, reveladas pelo telejornal local da TV Globo, os grupos paramilitares obrigam os vendedores e comerciantes a manter os estabelecimentos abertos durante a pandemia para que eles paguem a chamada a “taxa da milícia”.

“Eles vão sempre à noite, um deles encapuzado, um assim mais gordo, outro mais moreno e outro mais forte, entendeu? São três que foram lá em casa, para pegar R$ 30”, disse um morador na reportagem da emissora, sem ser identificado.

“Os milicianos daqui, cara, ficam oprimindo a gente, entendeu? Mandando ficar com o bar aberto, que nós ‘tem’ que ficar pra fazer dinheiro pra pagar eles, pra eles ‘poder’ pagar os caras da cobertura da PM”, relatou outro.

Diversas investigações já demonstraram que grupos de milicianos cariocas contam com a participação de policiais corruptos e ligações com políticos. O mais notório caso é dos milicianos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e sua conexão com a família Bolsonaro.

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Ricardo Ribeiro

Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.

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