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10 de novembro de 2016, 22h04

Movimento negro ocupa Secretaria de Segurança Pública de São Paulo

Movimentos sociais de São Paulo organizaram nesta quinta-feira (10) um ato-vigília em memória dos cinco jovens da zona Leste que foram assassinados e encontrados enterrados em Mogi das Cruzes nesta semana

Por Victor Labaki

ato genocidio negro

Duas amigas dos cinco meninos assassinados discursaram no ato

Movimentos sociais de São Paulo organizaram nesta quinta-feira (10) um ato-vigília em memória dos cinco jovens da zona Leste que foram assassinados e encontrados enterrados em Mogi das Cruzes nesta semana.

O protesto aconteceu no centro da cidade, em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, e seguiu em direção à Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Ao chegar ao órgão responsável pelas polícias de SP, os manifestantes conseguiram ocupar o saguão de entrada e reivindicaram que o secretário Magino Alves descesse para conversar com eles.

Esta matéria foi produzida de forma exclusiva pela equipe da Fórum, que também fez a transmissão ao vivo pelo Facebook da revista. Se você acha importante este trabalho, se torne Sócio da Fórum e colabore com o nosso jornalismo independente. 

Os seguranças inicialmente disseram que ele estava em Goiás, mas depois de uma longa negociação Alves desceu ao saguão e disse que receberia uma comissão de quatro pessoas, mas que os manifestantes tinham 5 minutos para desocupar a Secretaria senão autorizaria a retirada à força dos manifestantes. Nesse momento a tropa de choque já estava no local com escudos, bombas e armas que disparam bala de borracha.

Enquanto as pessoas estavam avaliando a proposta e antes dos 5 minutos terem se encerrado, Magino Alves saiu do local pela porta da frente, obrigando os policiais a fazerem um escudo e empurrarem os manifestantes.

Para Douglas Belchior, um dos organizadores do ato, a atitude de Alves foi “irresponsável” e tinha por objetivo ” provocar confusão”.

“Ele é um desequilibrado, um fascista, ele queria que alguém desse um tapa na cara dele para que isso aqui perdesse o controle. (…) A polícia ia vir para cima e ia ter morte”, afirmou.

Belchior ainda disse que Magino Alves descumpriu o combinado de receber uma comissão de manifestantes pra dialogar em sua sala.

“Ele tinha combinado com a gente que receberia uma comissão, mas enquanto a gente estava discutindo com o coletivo, ele resolveu sair por conta própria, colocando em risco todo mundo”, completou.

A reportagem da Fórum viu o momento em que o secretário assumiu esse compromisso e é possível também assisti-la na transmissão ao vivo que foi realizada no Facebook da Revista.

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No ato de ontem, além de militantes de movimentos, duas amigas dos cinco meninos assassinados discursaram para os manifestantes. Foi o momento mais tocante e emocionante.

Uma nova manifestação foi convocada para a próxima quinta-feira, às 18h, novamente em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Entenda os indícios que levam a crer que foi a polícia que matou os jovens
No dia 21 de outubro (sexta-feira), por volta das 23h, cinco jovens saíram da zona Leste de São Paulo para ir a uma suposta festa em Ribeirão Pires, interior do Estado, a convite de algumas garotas. Por volta da 0h30 um dos garotos enviou a seguinte mensagem para um contato: “Ei, tio. Acabo de tomar um enquadro ali. Os polícia tá me esculachando”. Essa foi a última notícia que deram desde então. O perfil no Facebook, das garotas que os convidara para a festa já havia sido apagado neste momento, por isso se desconfia que aqueles perfis eram fakes.

No dia 23 de outubro (domingo), o carro em que estavam foi encontrado aberto no Rodoanel sem ninguém dentro e sem marca de sangue. Durante as duas semanas que se seguiram, as famílias fizeram buscas por conta própria em cidades vizinhas como Mauá, Santo André, Ribeirão Pires e Bragança Paulista.

Nesse período vários movimentos sociais usavam as redes para cobrar explicações, já havia, a essa altura, suspeita do envolvimento de policiais no desaparecimento.

No dia 6 de novembro, domingo, os corpos foram encontrados em um matagal na estrada Taquarussu, em Mogi das Cruzes, em estado de decomposição avançado, mas com marcas de execução. Um deles estava decapitado, mas não se sabe se a decapitação foi feita pelo assassino ou por algum animal selvagem.

As investigações sobre o caso apontaram que a Polícia Militar consultou os dados de dois dos cinco jovens desaparecidos e que as cápsulas encontradas ao lado dos corpos dos jovens foram compradas pela Polícia Militar.

As famílias dos garotos têm denunciado perseguição e ameaça de policiais e relatam temer represálias. Uma reportagem do UOL conta que um garoto de 13 anos, parente de um dos cinco jovens, disse que foi cercado e ameaçado por policiais militares por cerca de quatro horas. A bordo de uma Perua Palio Weekend, eles circulavam no bairro em que as vítimas moravam, Jardim Rodolfo Pirani, entre às 16h e às 20h de segunda-feira, um dia depois de os corpos terem sido encontrados.

Entidades de defesa dos direitos humanos pediram que peritos independentes acompanhassem os trabalho do IML na análise dos corpos, mas a gestão Alckmin rejeitou a proposta e não permitiu o acesso desses peritos.


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