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26 de setembro de 2019, 12h15

MST de Rondônia denuncia prisão de militante e perseguição a assentamento de Rondônia

João Abelhão foi preso durante uma operação da Polícia Federal, realizada na cooperativa do assentamento Margarida Alves, em Nova União

Foto: Reprodução

A direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Rondônia divulgou uma nota de repúdio contra a prisão injusta de João Abelhão, militante sem terra, e a criminalização dos movimentos populares.

João foi preso durante uma operação da Polícia Federal, realizada na cooperativa do assentamento Margarida Alves, localizado no município de Nova União, em Rondônia.

Veja abaixo a íntegra da nota do MST:

Nota de repúdio contra o processo de criminalização dos Movimentos Sociais

É com veemência que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Rondônia, repudia a desnecessária e equivocada prisão do companheiro João Abelhão.

Na última sexta-feira (20), as famílias do Assentamento Margarida Alves, foram surpreendidas por uma operação da Polícia Federal, que, segundo consta, tinha como objetivo combater o desmatamento ilegal e uma suposta venda de lotes dentro da reserva em bloco do referido assentamento, que resultou na injusta e infundada prisão do companheiro João Abelhão, presidente da cooperativa daquele assentamento.

Ficamos perplexos com operações desta natureza, pois a Polícia Federal, instituição pública paga pelo dinheiro do povo, com mecanismos sofisticados de inteligência para os processos investigatórios, não pode errar seu alvo como errou tal qual nesta operação. Cuja interpretação não pode ser outra senão um flagrante processo de criminalização da luta e dos Movimentos Sociais.

As famílias do Assentamento Margarida Alves, por meio de sua cooperativa que também foi alvo de busca e apreensão, têm um vasto histórico de denúncias aos órgãos de controle e fiscalização sobre o processo de desmatamento e grilagem de terras no interior da reserva. O próprio João Abelhão, na vigência do seu mandato, levou ao conhecimento dos órgãos ambientais as investidas de grupos invasores e grileiros da reserva. Como forma de retaliação destas denúncias, tivemos em 2017 a invasão do assentamento por um grupo fortemente armado, que realizou uma ação simultânea, enquanto dez homens armados aterrorizavam as famílias de um acampamento que ali existe, outros dez mantiveram quatro companheiros em cárcere privado sob ameaça e tortura. Esta ação resultou na operação “Terra Roxa” da Polícia Civil de Ouro Preto, que veio a prender parte do grupo, tendo entre eles policiais militares que estavam, na ocasião, fortemente armados.

Neste sentido, se a Polícia Federal quiser alcançar seu objetivo e contribuir com o fim do desmatamento e da grilagem de terras no interior do assentamento Margarida Alves deve aprofundar, ampliar e realizar uma competente investigação da Polícia Civil de Ouro Preto, simbolizada pela a operação Terra Roxa. Caso contrário, estará configurado o processo de criminalização dos movimentos sociais, tendo a cooperativa do assentamento na pessoa de seu presidente, como o “bode expiatório” da vez.

Exigimos que a justiça federal, que decretou o mandado de prisão do companheiro João Abelhão, corrija seu erro, colocando o mesmo em liberdade o mais rápido possível.

Da Direção Estadual do MST-RO


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