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27 de julho de 2019, 17h02

Mulher agredida em grenal relata: “Me ofendeu de vagabunda, maluca, sem vergonha, cara de pau”

Taís Dias relatou em texto para a Folha o episódio em que ela e o filho pequeno são agredidos por torcedores do Internacional no estádio

No último clássico entre Grêmio e Internacional que ocorreu no dia 20 de julho, disputado no estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre,  a partida entre os rivais foi marcada pela agressão sofrida por uma mãe e seu filho nas arquibancadas. O vídeo que registra o momento em que ela e a criança são agredidos por torcedores do Internacional viralizou, horrorizando os usuários da internet. 

Em texto para a Folha, a mãe Taís Dias disse que, por conta do ocorrido, não pretende levar os três filhos novamente ao estádio tão cedo. No relato, Dias conta que era a primeira vez em que ela, o marido e os três filhos foram a uma partida de futebol.

“Como as crianças nunca tinha assistido a uma partida no estádio, parecia a oportunidade ideal para todos”, disse. “O Lucas, meu marido, é colorado, assim como [meus filhos] Igor e Gabriel. Eu sou gremista e o Bernardo também.”

Taís conta que o ambiente era bem familiar e que ficaram bem à vontade, mas que, quando o Grêmio marcou um gol, ela e Bernardo não comemoraram para que não tivesse qualquer problema com a torcida do Internacional, a qual estava próxima.

Após o fim do jogo, ela disse que o filho pediu pelas camisas do Grêmio para comemorar a primeira partida que ele viu em um estádio, a qual terminou em empate. Quando estavam se preparando para encontrar o marido e os outros dois filhos, que estavam na arquibancada mais cheia com torcedores do Internacional, Taís e Bernardo foram abordados por uma mulher e dois homens.

“Tomei até um susto, porque estávamos praticamente sozinhos naquela arquibancada”, ela conta. “Foi juntando um pessoal. Ela me abordou em um momento de fúria, queria arrancar as camisas da gente.”

Taís deu mais detalhes sobre o momento da agressão: “Ela dizia, ‘vou queimar essas camisetas’. Dizia que eu não ia ficar com as camisas, que ia queimar. Me ofendeu de vagabunda, maluca, sem vergonha, cara de pau, começou a me empurrar.”

O menino então se desesperou e começou a chorar, implorando para a mulher soltar as camisas que ela tentava tirar dos dois. Taís conta que conseguiu fazer um acordo com um funcionário para que ele guardasse as camisas e ela pudesse sair dali. Em seguida, pegou Bernardo pela mão e deixou a arquibancada.

Ainda no corredor do estádio, ela conta que a mulher também estava ali e começou a gritar que Taís era gremista para que todos os torcedores do Internacional ouvissem. Ela conseguiu encontrar o marido e os outros filhos para então buscar as camisas com a segurança, mas denunciou que eles não tiveram mais nenhum tipo de assistência: “A partir dali fomos embora sozinhos, ninguém nos conduziu com segurança em lugar nenhum.”

“Nunca imaginei que isso poderia acontecer”, desabafou Taís Dias. “Pensei que era um ambiente civilizado. Não vamos mais ao estádio, exceto no próximo que ganhamos convite do clube [Grêmio]. A gente não vai ter interesse em ir por um bom tempo.”


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