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17 de dezembro de 2019, 10h27

“Não vamos bobear no finalzinho” disse Alexandre de Moraes, ao combinar lobby com desembargador do TJ-MG

Na conversa, se nota que a função de Moraes nos trabalhos para inocentar o desembargador Alexandre Victor de Carvalho era justamente a de lobista no STF junto aos ministros que decidiriam o futuro do seu cliente, algo que era incompatível com seu então cargo de Secretário de Segurança Pública de São Paulo.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O grampo realizado pela PF (Polícia Federal) a uma conversa entre o então Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes (hoje ministro do STF) e o desembargador do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), Alexandre Victor de Carvalho entrega detalhes de como o hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) agiu para tentar ajudar o cliente a se livrar de um processo no mesmo STF, em 2015 – quando ele ainda não fazia parte da corte, que avaliava um caso que poderia levar ao afastamento de Carvalho de seu cargo.

Sim, “cliente é a palavra correta”. Segundo a PF, a gravação é de novembro de 2015, e foi autorizada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Na ocasião, Moraes atuava como advogado de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, trabalho que desempenhava simultaneamente com o de secretário de Segurança Pública, o que é incompatível por lei.

Na conversa, se nota que a função de Moraes nos trabalhos para inocentar Carvalho era justamente a de lobista no STF junto aos ministros que decidiriam o futuro do seu cliente. “Acho que finalmente vai tirar essa porcaria aí do seu caminho, encheção de saco, porque é uma encheção de saco”, reclama o então secretário paulista durante a conversa de quatro anos atrás.

Em outros trechos, Alexandre faz uma análise de quais ministros da Segunda Turma do STF deveria tentar convencer para salvar o cliente, e cita Dias Tóffoli (atual presidente da Corte, que então era presidente da Segunda Turma), Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Teori Zavascki. Carvalho recordou Alexandre que Cármen Lúcia é mineira, e “conhece minha história aqui”, ao que Morares responde que “se você tiver alguém pra só lembrar ela só, não é ruim”.

Já pelo fim da conversa, Alexandre deu a senha para que o lobby a favor de Carvalho fosse adiante em seus movimentos decisivos: “não vamos bobear no finalzinho, não é?”. Dias depois, a Segunda Turma julgou o caso e decidiu arquivar a reclamação contra Carvalho.


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