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08 de fevereiro de 2012, 19h05

Nassif explica demissão da TV Cultura: "2010 já começou"

Nassif disse não saber quais razões reais teriam levado o canal público a romper o contrato, mas lançou algumas luzes que podem clarear o entendimento sobre a decisão.

A aproximação do ano eleitoral e a subordinação do canal ao presidenciável José Serra – governador que tem fama de perseguir veículos e jornalistas críticos à sua gestão – poderiam ter pesado na decisão. “Fiz uma matéria sobre o balanço da Sabesp, tratando da publicidade que a empresa fez em termos nacionais. Como pode uma empresa que tem atuação estadual patrocinar eventos de televisão no Brasil inteiro?”, questionou. A intenção é clara: trata-se de divulgar a gestão Serra, contribuindo para torná-lo uma figura mais conhecida nacionalmente com vistas à disputa de 2010.

Outro episódio que demonstra as divergências entre a visão crítica de Nassif e a orientação da TV Cultura foi a publicação no blog do jornalista de release sobre o programa “Roda Viva” com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. No texto, constava a formação da bancada de entrevistadores: Reinaldo Azevedo, da Veja; Macio Chaer, do site Consultor Jurídico e Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, entre outros.

Na época, Nassif postou o seguinte comentário: “um belo feito jornalístico do Paulo Markun (presidente da Fundação Anchieta, mantenedora da TV Cultura). Garanto que a bancada colocará à prova todo o saber jurídico do presidente do STF e fará todos os questionamentos que precisarem ser feitos a ele, tudo aquilo que os telespectadores gostariam de perguntar”.

A repercussão bateu no canal. Os internautas “entupiram a Cultura de protestos”, lembra o jornalista.

Distanciamento

Ao falar da demissão de Nassif ao portal Imprensa, a Fundação Padre Anchieta disse que eram freqüentes “ao longo do período de vigência do contrato, as situações em que a direção do ‘Jornal da Cultura‘ solicita a presença do jornalista e ele não está disponível, em razão de viagens ou outros compromissos profissionais. Isso obriga o jornal a adequar-se às conveniências de seu colaborador e não o contrário, como seria de esperar‘‘.

Nassif desmente tal versão: “a alegação de que eu não estava disponível quando a TV Cultura me chamava não é verdade. A negociação que fizemos ano passado – até em função da crise financeira da Cultura – era que eu teria participação esporádica lá”. Ele contou ainda que em dois dos episódios mais importantes da área econômica no ano passado – a explosão da crise e a fusão entre Unibanco e Itaú – “liguei para eles dizendo que eram fatos relevantes e eles disseram para não ir porque tinham outras prioridades”.

De acordo com o jornalista, “eu ligava sempre e dizia: ‘pessoal, vocês não vão me chamar?’”. Mas, a orientação do canal, disse, tem sido a de abordar temas leves. “Querem montar um jornal para competir com os das grandes redes, mas sem ter estrutura. E o diferencial da Cultura – que era aprofundar o tema, avançar nas informações – deixou de existir. A Cultura tinha várias caras e a partir do momento em que o Markun assumiu, ele esvaziou o canal de todas elas”.

Apesar dos sinais de distanciamento, Nassif foi convidado por Paulo Markun para uma reunião em dezembro, que não chegou a acontecer, na qual seria tratado o retorno do programa de Luis Nassif à grade do canal. “E de repente, nesta semana, disse que o contrato não seria mais renovado. Então, o que quer que tenha ocorrido, ocorreu entre o momento em que a reunião ia acontecer e agora”.

Para Nassif, a decisão veio de cima. “O Markun não tomaria sozinho essa decisão. E se em dezembro ele estava acertando ampliar minha participação, é evidente que a mudança de orientação se deveu a outros fatos”. Nassif declarou ainda que não vai “entrar em guerra com o Markun”, mas “ele é um cara fraco e não toma nenhuma decisão se não passar por instâncias superiores”.

Afastado da televisão e tido com um dos mais importantes blogueiros e jornalistas do país, Nassif não tem planos para continuar na televisão. E renova sua aposta: “praticar jornalismo está cada vez mais difícil. O caminho é a internet”.

Com informações do site Vermelho.


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