Patrocinadora do Santos rompe contrato após contratação de Robinho

Orthopride alega “respeito às mulheres” para decisão; clube faz nota dizendo que atleta não teve condenação definitiva por estupro na Itália e critica o que chama de “era do cancelamento”

A contratação do atacante Robinho, 36 anos, pelo Santos, condenado em primeira instância por estupro na Itália, levou um patrocinador do clube a romper o contrato.

A rede de franquias de ortodontia estética Orthopride, que tinha acordo até fevereiro de 2021 com a agremiação, tomou a decisão na tarde desta quarta-feira. A marca era exibida dentro dos números da camisa do Santos.

A decisão recebeu apoios e ataques em comentários na página do Facebook da empresa. A uma das críticas, a empresa respondeu: “Nós temos um grande respeito pela história do Santos, mas, nesse momento, decidimos romper o contrato de patrocínio com a agremiação. Em respeito às mulheres, decidimos tomar essa decisão, pois não compactuamos com nenhum tipo de violência, coação ou crime contra elas”.

O diretor de operações da empresa, Richard Adam, complementou a justificativa em entrevista ao site GE. “Nosso público é majoritariamente feminino e, em respeito às mulheres que consomem nossos produtos, tivemos que tomar essa decisão. Queremos deixar claro que não fomos informados previamente sobre a contratação do Robinho, fomos pegos de surpresa pela imprensa no fim de semana”.

Robinho foi condenado em 2017 na Itália a nove anos de prisão pelo crime de estupro de uma mulher, com outros cinco homens.  A decisão é de primeira instância e ainda cabem recursos, não sendo uma condenação definitiva. O atleta está recorrendo em liberdade. No atual estágio do processo, ele está livre para jogar. Antes do Santos, ele atuava pelo Istambul Basaksehir, da Turquia.

Nota do clube

Diante da decisão do patrocinador, o Santos publicou uma nota em seu site, dizendo que, em seus 108 anos, é “referência no combate ao racismo, contra qualquer tipo de violência, especialmente contra a mulher”.

Em relação ao processo contra Robinho, o clube escreve não há condenação definitiva e, assim, a agremiação “não vai dar uma “sentença antecipada, prejulgando e o impedindo de exercer sua profissão”. Ainda afirma que em sua história sempre respeitou “as garantias fundamentais do ser humano, dentre as quais, a presunção da inocência e o respeito ao devido processo legal”.

O clube termina a nota dizendo: “Infelizmente vivemos na era dos cancelamentos, da cultura dos tribunais da internet e dos julgamentos tão precipitados quanto definitivos, porém há a certeza que o torcedor do Santos FC entenderá que compete exclusivamente a Justiça realizar o julgamento”.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.