sábado, 24 out 2020
Publicidade

PF investiga propaganda do governo Bolsonaro em sites e canais que promoveram atos golpistas

Relatório aponta indícios de financiamento para influenciadores e páginas que organizaram ataques ao Congresso e ao STF

A Polícia Federal investiga indícios de que o governo Jair Bolsonaro financiou pessoas e páginas na internet que impulsionaram atos golpistas realizados por apoiadores do presidente. Um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) investiga a organização e o financiamento dos atos, que promoveram ataques e pediram o fechamento do Corte e do Congresso Nacional.

Um relatório parcial da PF produzido no inquérito aponta, pela primeira vez, uma ligação dos atos com o Palácio do Planalto e apura se a publicidade oficial foi utilizada para direcionamento de recursos públicos. O documento utiliza informações de que a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) veiculou publicidade em sites que propagam ações antidemocráticas, enviadas pela CPMI das Fake News do Congresso Nacional.

“A investigação tem o objetivo de checar se essa ocorrência se deu por culpa ou por ação ou omissão deliberada de permitir a adesão da publicidade do governo federal, e a consequente monetização, ao conteúdo propagado”, escreveu a delegada Denisse Dias Ribeiro.

“Outro ponto a ser elucidado (e que complementarão a análise do material já em curso) é se essa conduta ocorreu por vínculos pessoais/ideológicos entre agentes públicos e os produtores de conteúdo ou mesmo por articulação entre ambos”, completou

Além da presença de propaganda do governo, a PF apura se os gestores públicos usaram mecanismos disponíveis em ferramentas de publicidade, como o Google Ads, para evitar que as mensagens do governo chegassem a sites que disseminam ataques às instituições.

“Não há informações que indiquem se os agentes públicos responsáveis, dolosa ou culposamente, criaram critérios objetivos (palavras-chave, filtros ou bloqueios) que evitassem que a propaganda do governo federal fosse veiculada e monetizasse canais que difundem ideias contrarias às professadas pelo Estado democrático de Direito, permitindo (i.e., não impedindo), com tal prática, que ocorresse o repasse de recursos públicos com a intermediação de ferramentas tecnológicas a tais canais das redes sociais”, diz o relatório.

O sistema de publicação de propaganda na internet conhecido como mídia programática distribui automaticamente anúncios conforme critérios estabelecidos pelo cliente contratante, como público-alvo e audiência. No entanto, é possível escolher bloquear determinados sites.

Com informações de O Globo

Redação
Redação
Direto da Redação da Revista Fórum.