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27 de outubro de 2016, 18h45

PM desocupa escola no TO e algema adolescentes menores de idade

“A Polícia entrou na escola sem documento de reintegração e mantém os jovens na delegacia sem água e impedindo a entrada dos familiares”, escreveu a UBES, em um post do Facebook feito por volta das 13h

Por Redação

Alunos que estavam ocupando o Centro de Ensino Médio Dona Filomena Moreira de Paula, na cidade de Miracema do Tocantins, a 78 quilômetros da capital Palmas, foram retirados pela Polícia Militar do estado na manhã desta quinta-feira (27) e levados algemados dentro de um ônibus para a delegacia. A UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) informou que haviam 11 estudantes menores de idade e que a polícia não possuía um documento exigindo a reintegração de posse.

“26 estudantes da escola ocupada Dona Filomena Moreira de Paula, sendo 11 menores de idade, foram presos em Miracema, no Tocantins. A Polícia entrou na escola sem documento de reintegração e mantém os jovens na delegacia sem água e impedindo a entrada dos familiares”, escreveu a organização em um post do Facebook feito por volta das 13h.

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A PM confirmou que os militares foram chamados pelo promotor de Justiça do Ministério Público Estadual (MPE) para desocupar o local. A Polícia Civil também confirmou que o grupo de alunos foi levado em uma van da PM para a delegacia, onde estão sendo ouvidos pelo delegado.

Eles ocuparam a escola para protestar contra a  a PEC 241, que congela os investimentos em educação por duas décadas, e a Medida Provisória do Ensino Médio, a MP 746, que altera o Ensino Médio sem ter sido conversada com especialistas na área.

Os alunos disseram que a ocupação estava sendo autorizada pela diretora da escola.

“O promotor da cidade chegou sem nenhum mandado e fez a desocupação. Nós tínhamos autorização da diretora (para ficar no local). Eles me algemaram com um menor de 15 anos e tomaram meu celular, mas depois me devolveram”, contou a manifestante Amanda Kharollyna, que é acadêmica da UFT, ao portal G1.

Segundo o Ministério Público, tanto a Polícia Militar quanto o representante do MPE tentaram o diálogo para que os estudantes desocupassem o imóvel. Diante da recusa, o promotor de Justiça determinou que a PM iniciasse a desocupação. No entanto, nenhum confronto foi registrado.

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“Diante da resistência de alguns estudantes em desocupar o imóvel e com o objetivo de resguardar a integridade física dos próprios alunos, o promotor ordenou que a autoridade policial contivesse com o uso de algemas dois estudantes que se recusavam a deixar o Colégio.”

O MP alega que a “diretora do colégio estaria recebendo ameaça de morte de pessoas que estariam aliciando estudantes para fazerem parte da ocupação”.

Foto de Capa: Divulgação


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