Procurador bolsonarista de SP vira réu por promover homofobia nas redes

O funcionário público Caio Augusto Limongi Gasparini, que enfrenta hoje três processos administrativos e um criminal, afirma que LGBT são “degenerados” e “pedófilos”

O procurador do estado de São Paulo, Caio Augusto Limongi Gasparini está sendo processado pelo Ministério Público de SP pelo crime de homofobia.

De acordo com a denúncia, Limongi fez, pelo menos, 11 postagens em suas redes sociais onde comparava a homossexualidade com a pedofilia e degeneração social.

A denúncia é assinada pela promotora Maria Fernanda Balsabore Pinto e afirma que Limongi, “de forma continuada, praticou, induziu e incitou a discriminação e o preconceito”.

“Ao publicar manifestações pessoais de forma livre, reiterada, consciente e propositalmente aberta na plataforma Facebook, expressando ideias de inferiorização, aversão, nojo, estigmatização negativa, segregação, intolerância e desqualificação do grupo LGBT, o denunciado praticou condutas que encontram subsunção nos crimes de racismo”, diz trecho da denúncia.

“Degenerados”

Após ser denunciado, Limongi apagou todas as postagens onde promovia ódio às LGBT. No entanto, as 12 postagens foram colhidas para o processo disciplinar contra Limongi.

Durante a Parada LGBT de 2019, Limongi escreveu: “Nojo, NOJO MÁXIMO. Degenerados filhos de uma puta”.

Em outra publicação: Trago verdade e não me importam os seus brios. O fato é que há uma relação evidente e escancarada. Erotização leva a promiscuidade, que leva ao homossexualismo e que leva a pedofilia. É um barranco inexorável”.

Na última sexta-feira (23), o juiz Richard Francisco Chequini, da 2-ª Vara Criminal da capital, recebeu a denúncia do Ministério Público e Gasparini se tornou réu pelo crime de racismo por causa das mensagens homofóbicas.

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Guerreiro católico

Após se tornar réu, Gasparini afirmou que não irá falar com a imprensa, se ancorou no direito à liberdade de expressão e pediu aos amigos que rezem por ele “enquanto enfrento essa batalha que Deus me apresentou”.

O procurador, que agora é réu, deletou do seu Facebook todas as postagens, mas, em seu Instagram ainda permanecem algumas postagens, onde, por exemplo, as LGBT são associadas aos “caos global”.

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Caio Augusto Limongi Gasparine tem 44 anos, é casado e católico e recebeu em junho de 2021 um dos maiores salários do funcionalismo público do Brasil: brutos de R$42.057,23, o valor líquido foi de R$ 28.360, 36.

Além da investigação da Corregedoria, os posts de Limongi Gasparini resultaram em mais três procedimentos.

Por fim, os processos podem resultar na condenação na esfera criminal à perda de seu cargo na esfera administrativa.

Com informações do Conjur e da Revista Piauí.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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