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08 de abril de 2020, 12h22

Racismo: por que alguns homens negros não se sentem seguros ao usar máscaras durante a pandemia

"Quero ficar vivo, mas também quero ficar vivo", escreveu Aaron Thomas em coluna de jornal

Reprodução/Twitter

“Sou um homem negro vivendo neste mundo. Eu quero ficar vivo, mas também quero ficar vivo”, escreveu o professor Aaron Thomas em artigo publicado no Boston Globe em 5 de abril.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA, assim como a maioria dos médicos brasileiros, recomendam que as pessoas passem a usar sem máscaras em público. As diretrizes são as mesmas do Brasil: de que as máscaras cirúrgicas sejam reservadas aos profissionais de saúde, que estão com falta de suprimentos, e sugerem que sejam feitas máscaras caseiras ou usados até mesmo camisetas, cachecóis, lenços ou qualquer outro tecido sobressalente.

Aaron conta que pensou nas tarefas que precisava fazer na semana, incluindo uma ida ao supermercado. “Eu pensei que poderia usar uma das minhas bandanas antigas como máscara. Mas então minha voz de autoproteção me lembrou que eu, um homem negro, não posso entrar em uma loja com uma bandana cobrindo a maior parte do meu rosto, se também espero sair dessa loja. A situação não é segura e pode levar a atenção não intencional e, finalmente, uma situação de vida ou morte para mim. Para mim, o medo de ser confundido com um assaltante ou assaltante armado é maior do que o medo de contratar o COVID-19.”

“Nós temos muitos exemplos de criminalidade presumida de homens negros em geral. E aí nos temos as autoridades pedindo que nós usemos em público algo que pode, certamente, ser visto como um adereço de um criminoso, particularmente quando usado por homens negros”, declarou Trevor Logan, negro e professor da Universidade do Estado de Ohio, à CNN americana.

Ale Santos, escritor, conta que em sua cidade, Guaratinguetá, o prefeito determinou que todo mundo deve usar máscara em todos os estabelecimentos, tanto os clientes quanto aqueles que estão trabalhando. “Isso amenizou a estranheza que seria causada, e também tem a questão de que os EUA começaram a quarentena há menos tempo que o Brasil e os lugares lá ainda estavam abertos e as pessoas ainda se acostumando com a nova situação”, disse Ale.

Ainda em seu artigo, Aaron chama atenção de aqueles que são impactados pelo COVID-19 nos EUA são predominantemente pessoas negras, pobres, sem-teto e pessoas com deficiências, já que lá não há serviço de saúde pública como o SUS. Ele lembra também que houve um aumento da discriminação contra asiáticos porque o novo coronavírus teria se originado na China. “As tensões raciais estão aumentando cada vez mais e a situação das minorias está piorando”, escreveu ele.

No Brasil, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e até seu filho, Eduardo, Deputado Federal, insistem em chamar o novo coronavírus de “vírus chinês”, estremecendo as relações diplomáticas com a China.


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